A produção brasileira de soja no ciclo 2025/26 deve alcançar 184,7 milhões de toneladas, segundo nova estimativa da Agroconsult, à qual o Monitor do Mercado teve acesso com exclusividade. O número representa um aumento de 1,6 milhão de toneladas em relação à projeção divulgada no início de março.
De acordo com a consultoria, a revisão reflete mudanças tanto na produtividade das lavouras quanto na extensão da área cultivada, após a consolidação das informações obtidas durante a etapa dedicada à soja do Rally da Safra.
Caso a estimativa se confirme, a safra será 6,7% maior que a do ciclo anterior e 0,9% superior à última revisão divulgada em 3 de março.
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“Chegamos a um momento decisivo para a definição da safra de soja. É quando consolidamos os dados de campo coletados em todas as regiões do país, respeitando o calendário de colheita de cada área, e os integramos às informações de área plantada, obtidas com o suporte de tecnologias avançadas de processamento de imagens. Esse cruzamento de informações amplia de forma significativa a precisão das estimativas e reforça a confiabilidade dos números da produção nacional”, afirma André Debastiani, coordenador geral do Rally da Safra.
Para chegar aos novos números, equipes técnicas avaliaram cerca de 1.700 lavouras distribuídas em 14 estados, percorrendo mais de 60 mil quilômetros desde janeiro.
Safra de soja é impulsionada pelo aumento de produtividade nas lavouras
Com base nesses dados de campo, a produtividade média nacional foi ajustada de 62,5 para 62,7 sacas por hectare. Esse indicador mede a quantidade colhida por área plantada e é um dos principais parâmetros para estimar a produção total.
Pelo lado da área cultivada, a estimativa passou para 49,1 milhões de hectares, cerca de 300 mil hectares acima da projeção inicial feita durante o levantamento.
Com isso, o ajuste total para a safra 2025/26 soma 1,6 milhão de toneladas a mais em relação à estimativa anterior. Na comparação com a temporada passada, o crescimento ultrapassa 11,5 milhões de toneladas.
Segundo a Agroconsult, 30% dessa expansão decorre do aumento da área plantada, enquanto 70% está relacionado a ganhos de produtividade nas lavouras.
Mato Grosso mantém liderança na safra de soja
Entre os destaques positivos do ciclo está Mato Grosso, principal produtor nacional de soja. Com a colheita já concluída, o estado deve registrar produção de 51,3 milhões de toneladas, com rendimento médio de 66 sacas por hectare.
O resultado permanece praticamente estável em relação ao relatório anterior e ligeiramente acima da estimativa inicial do Rally, que indicava 65 sacas por hectare.
Segundo Debastiani, os primeiros levantamentos já indicavam bom potencial produtivo nas lavouras plantadas mais cedo.
“No início do Rally, as lavouras precoces do Mato Grosso já indicavam alto potencial produtivo. Em fevereiro, o excesso de chuvas trouxe preocupação com a qualidade e o peso dos grãos. Ainda assim, os dados finais mostram que o estado sustentou uma produtividade elevada, apoiada pelo maior número de grãos por hectare e bom peso dos grãos”, explica.
Bahia tem a maior produtividade do país
Outro destaque positivo é Bahia. Com 61% da área já colhida, os dados coletados indicaram uma das maiores revisões positivas desta safra.
A estimativa de produtividade, que era de 66 sacas por hectare em janeiro, subiu para 68 sacas em fevereiro e agora alcança 70,3 sacas por hectare, a maior média entre os estados produtores.
Com esse desempenho, a produção baiana deve chegar a 9,7 milhões de toneladas.
Estiagem reduz potencial no Rio Grande do Sul
O principal ponto negativo da safra aparece em Rio Grande do Sul. Apenas 11% da área foi colhida até o momento, ritmo inferior à média registrada nas últimas cinco temporadas.
O estado enfrentou períodos prolongados de estiagem durante o ciclo da cultura, o que reduziu o potencial produtivo.
A produtividade estimada caiu de 52 sacas por hectare em janeiro para 47 sacas em fevereiro, sendo ajustada na rodada final para 48,3 sacas por hectare.
“Apesar da melhora da percepção de potencial do estado, após rodarmos o estado no final de março, a produção ainda deve ficar ligeiramente abaixo das 20 milhões de toneladas”, afirma Debastiani.
Safra de soja também teve revisões negativas em alguns estados
Outros estados tiveram ajustes para baixo na fase final da colheita, principalmente devido a condições climáticas irregulares.
No Mato Grosso do Sul, embora o início do plantio tenha ocorrido de forma satisfatória, o desenvolvimento da cultura foi marcado por instabilidade climática.
A redução das chuvas e o aumento das temperaturas aceleraram a colheita e trouxeram preocupação com a chamada janela da segunda safra, período ideal para o plantio do milho após a soja. A produtividade foi revisada de 62,5 para 60 sacas por hectare.
Em Goiás, o ciclo das lavouras ocorreu de forma considerada satisfatória, mas a colheita revelou peso e qualidade dos grãos abaixo do esperado, o que levou a uma revisão de 67 para 66,2 sacas por hectare.
No Paraná, as chuvas irregulares e temperaturas elevadas afetaram principalmente as últimas áreas plantadas, em fevereiro e março, reduzindo o peso dos grãos. A estimativa passou de 67 para 66,1 sacas por hectare.
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Minas Gerais e MAPITO-PA apresentam melhora
Por outro lado, alguns estados registraram revisões positivas. Em Minas Gerais, a produtividade deve atingir um recorde de 68 sacas por hectare.
O resultado reflete fatores como semeadura realizada com segurança, ausência de replantio, bom nível de investimento nas lavouras e volumes adequados de chuva ao longo do desenvolvimento da cultura.
Já na região conhecida como MAPITO-PA, que inclui áreas agrícolas de Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará, o bom peso dos grãos também contribuiu para revisões positivas.
A produtividade foi elevada para 64,2 sacas por hectare no Maranhão e 65 sacas por hectare no Piauí. Já em Tocantins e Pará, a média deve ser de 60 sacas por hectare.




