O mercado tem concentrado atenção no crescimento das vendas de cerveja da Ambev (ABEV3) antes da divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026, marcada para 30 de julho. Para o BTG Pactual, no entanto, os investidores podem estar olhando para o indicador errado.
Em relatório divulgado nesta terça-feira (7), o banco afirma que os volumes continuam importantes, mas destaca que a capacidade da companhia de elevar preços, melhorar o mix de produtos e controlar custos deve ser o principal fator para sustentar os resultados do trimestre.
Segundo o BTG, esse comportamento já foi observado nos últimos balanços, quando a Ambev conseguiu superar expectativas, mesmo em um ambiente de menor crescimento da indústria de cerveja.
BTG projeta alta de quase 7% nos volumes de cerveja
O banco estima crescimento de 6,7% no volume de cerveja vendido pela Ambev no Brasil na comparação anual. A projeção considera dois fatores principais: a recuperação de participação de mercado e o impacto da Copa do Mundo sobre as vendas.
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O BTG calcula que o torneio tenha elevado os volumes da indústria em cerca de 4% no trimestre, enquanto a Ambev teria ampliado sua participação entre 2 e 3 pontos percentuais. Apesar disso, o banco avalia que sua estimativa pode ficar abaixo das expectativas do mercado.
Para o banco, o principal diferencial do trimestre pode estar na receita por hectolitro — indicador que mede quanto a empresa arrecada, em média, para cada 100 litros vendidos. A expectativa é de avanço de 5,1% na comparação anual e de 0,4% frente ao primeiro trimestre.
Segundo os analistas, esse desempenho seria resultado da continuidade dos reajustes de preços e do crescimento das marcas premium, segmento no qual a Ambev segue ampliando participação.
O relatório destaca que essa estratégia vem fortalecendo a receita, mesmo em um mercado que cresce em ritmo mais moderado. Com isso, o banco manteve recomendação de compra para as ações da Ambev, com um preço-alvo de R$ 20.
Custos continuam pressionando margens
O BTG também espera pressão sobre os custos de produção da operação de cerveja no Brasil. O custo dos produtos vendidos (CPV) deve subir 6,2% na comparação anual, refletindo principalmente os efeitos da alta das commodities e da desvalorização do real ocorridas em 2025.
Segundo o banco, a Ambev costuma proteger parte desses custos por meio de operações de hedge — mecanismo financeiro utilizado para reduzir o impacto das oscilações cambiais e dos preços das matérias-primas.
Além disso, os investimentos em marketing durante a Copa do Mundo e o retorno do pagamento de bônus aos funcionários devem elevar as despesas operacionais.
Mesmo assim, o BTG projeta EBITDA de R$ 3,2 bilhões para a divisão de cerveja no Brasil, com margem de 31,8%.
Demais operações da Ambev devem perder volume
Nas operações internacionais, o banco projeta retração nos volumes em praticamente todas as regiões. As estimativas apontam queda de:
- 4% na América Central e Caribe (CAC);
- 3,9% na América Latina Sul (LAS);
- 3% no Canadá;
- 1,8% na divisão de bebidas não alcoólicas (NAB).
Ainda assim, o BTG acredita que essas operações não devem alterar significativamente a tese de investimento da companhia.











