Após um período de atividade robusta no Brasil, Chile e Colômbia, o consumo privado na América Latina — que inclui gastos de pessoas e famílias — começou a desacelerar em 2025, segundo a agência de avaliação de risco Moody’s Ratings.
No Brasil e na Colômbia, os gastos do consumidor diminuíram. Em contraste, o consumo no Chile aumentou no segundo trimestre de 2025. Ainda assim, se levarmos em conta o ano todo, a maioria das grandes economias da América Latina registra crescimento no consumo privado.
A principal exceção é o México, devido à relação econômica com os Estados Unidos. A inflação persistente em toda a região limita a capacidade dos bancos centrais de estimular a demanda econômica.
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A agência observa que, embora mercados de trabalho fortes, ganhos salariais reais e valorização da moeda local sustentem o consumo, esse suporte chegou ao pico e agora está diminuindo.
Isso se deve às incertezas sobre a política comercial dos Estados Unidos em relação à América Latina, além de riscos específicos de cada país, que continuam afetando as perspectivas de crescimento. Eleições presidenciais futuras no Chile (novembro de 2025), Colômbia (maio de 2026) e Brasil (outubro de 2026) também adicionam um elemento de incerteza.
Inflação e taxa de juros
A inflação, ou seja, o aumento generalizado dos preços, tem se mantido próxima ou acima dos limites superiores das metas dos bancos centrais na maioria dos países da América Latina.
Mercados de trabalho com pouca mão de obra disponível e o aumento dos salários reais têm gerado inflação persistente nos serviços. Além disso, choques de oferta, como problemas na cadeia de produção, elevaram os preços de alimentos e eletricidade.
Diante da inflação elevada, os bancos centrais têm um espaço limitado para flexibilizar a política monetária — ou seja, cortar as taxas de juros para estimular a economia. No Brasil, o Banco Central (BC) continuou aumentando as taxas de juros em 2025 para controlar as expectativas de inflação, e não há perspectiva de flexibilização da política monetária até o próximo ano.
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Já os bancos centrais do Chile e da Colômbia agiram com mais cautela. O Banco Central do México fez cortes na taxa de juros de referência, mas diminuiu o ritmo dessas reduções (de 0,5 ponto percentual para 0,25 p.p.).
Mercado de trabalho
Os mercados de trabalho na maior parte da América Latina estão “apertados”, indicando que a oferta de empregos é grande em relação ao número de trabalhadores disponíveis. O desemprego está abaixo da média histórica na Colômbia e significativamente menor no México e no Brasil. O Chile é a exceção, com taxas de desemprego ainda acima de suas médias históricas.
Mesmo com a inflação, a escassez de mão de obra contribuiu para o aumento dos salários reais — o poder de compra dos salários, descontando a inflação.
No Brasil, programas de transferência de renda governamentais mantiveram o consumo privado estável. No México, aumentos do salário mínimo resultaram em um forte crescimento dos salários reais.
As remessas — dinheiro enviado por trabalhadores no exterior para seus países de origem — para o México diminuíram no segundo trimestre de 2025. Isso se deve a um mercado de trabalho mais lento nos EUA e ao aumento da fiscalização nas fronteiras.
Confiança do consumidor
A confiança do consumidor, que mede o otimismo das pessoas sobre a economia e suas finanças pessoais, melhorou ligeiramente após uma queda no final de 2024 e início de 2025.
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No México, Brasil e Colômbia, a confiança parece ter atingido um “fundo” (ponto mais baixo) e está melhorando, impulsionada pela valorização das moedas locais e mercados de trabalho estáveis. No Chile, houve uma leve queda na confiança.
Avaliação das empresas da América Latina
Os ratings — avaliações de risco de crédito — das empresas latino-americanas ligadas ao consumo continuam positivos em geral em 2025. Isso reflete a resiliência dos fundamentos dessas companhias.
As margens de lucro brutas e a relação lucros/juros dessas empresas se mantiveram sólidas, especialmente no Brasil, indicando que estão mais preparadas para enfrentar períodos de crescimento menos favoráveis.
No entanto, a Moody’s alerta que as tensões comerciais e a desaceleração da atividade econômica começarão a impactar os lucros e as métricas de crédito das empresas nos próximos meses.


