O rombo estimado em cerca de R$ 50 bilhões provocado pelo Banco Master levou bancos e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a abrir negociações para antecipar e ampliar contribuições ao fundo, após a liquidação do Will Bank e o avanço dos custos de ressarcimento a investidores.
Conforme aponta publicação do jornal O Globo desta quinta-feira (22), o impacto financeiro já é considerado um dos maiores já enfrentados pelo FGC e deve resultar em novos aportes, concentrados principalmente nos grandes bancos.
O valor considera tanto os ressarcimentos a investidores quanto os custos adicionais ao FGC decorrentes do encerramento das operações do banco digital.
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Bancos também parcelam
Os bancos terão que antecipar contribuições que originalmente seriam pagas ao longo de até 60 meses, prazo equivalente a cinco anos.
A forma de recolhimento ainda está em negociação e envolve a possibilidade de pagamento em diferentes “tranches”, termo utilizado no mercado financeiro para designar desembolsos feitos de maneira parcelada.
Caso essa antecipação não seja suficiente para recompor o caixa do fundo, os bancos poderão enfrentar um aumento de até 50% no valor das contribuições regulares ao FGC. Atualmente, o aporte é de 0,012% do patrimônio líquido de cada instituição.
Grandes bancos concentram maior parte do esforço
Cerca de 250 bancos estão sendo chamados a contribuir com o esforço de fortalecimento do FGC após o sinistro relacionado ao Banco Master. No entanto, a maior parte da conta deve recair sobre as maiores instituições do sistema financeiro.
Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal podem ter que aportar entre R$ 4 bilhões e R$ 6 bilhões cada.
Liquidação do Will Bank amplia impacto no FGC
A liquidação do Will Bank, anunciada pelo Banco Central nesta quarta-feira (21), deve gerar um custo adicional ao FGC estimado entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões. Esse valor se soma ao montante estimado entre R$ 41 bilhões e R$ 43 bilhões que deverão ser ressarcidos aos investidores do Banco Master.
Com isso, o gasto total do FGC com o conglomerado controlado por Daniel Vorcaro alcança cerca de R$ 50 bilhões, conforme informado anteriormente.
Esse novo impacto financeiro exigirá uma nova injeção de recursos por parte dos bancos, que, com essa liquidação adicional, pode chegar a R$ 6 bilhões.
Garantias revelam participação no BRB
A execução das garantias do Mastercard contra o Will Bank evidenciou a participação do conglomerado do Banco Master no Banco Regional de Brasília (BRB).
Entre as garantias oferecidas à bandeira de cartões pelo banco digital (adquirido em 2024 pelo grupo de Daniel Vorcaro) está uma participação equivalente a 6,93% do capital total do BRB.
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Estratégia comercial baseada no FGC
O Will Bank utilizava a mesma estratégia do Banco Master na venda de investimentos, destacando a proteção do Fundo Garantidor de Crédito.
Criado em 2017, o Will Bank tinha foco na população das classes C, D e E não bancarizada e no pequeno empreendedor, operando sem exigência de CNPJ e com uma estrutura simplificada, totalmente digital e realizada por meio do celular.
Após ser adquirido pelo Banco Master em 2024, o Will passou a adotar o mesmo modelo de negócio do conglomerado.
Na área de perguntas e respostas do site do Will Bank, ao tratar da segurança dos investimentos, a instituição citava a proteção do Fundo Garantidor de Crédito aos investidores.


