A Fictor Alimentos (FICT3), do Grupo Fictor, informou ao mercado por meio de Fato Relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a renúncia de André Luiz Carneiro de Vasconcellos aos cargos de Diretor de Estratégia, Planejamento e Relações com Investidores (RI), com efeito imediato.
A saída ocorreu na última quinta-feira (29), às vésperas do pedido de Recuperação Judicial do Grupo Fictor e em meio à interferência da Justiça de São Paulo, que determinou o bloqueio cautelar de contas da holding Fictor e a recomposição de R$ 150 milhões retirados de uma conta de garantia.
A decisão judicial teve como fundamento o risco de insolvência da empresa após os desdobramentos da liquidação do Banco Master. Ao Monitor do Mercado, Vasconcellos declarou que a renúncia ao cargo na companhia aberta “decorre exclusivamente de motivos de ordem pessoal e particular”.
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Conforme a ata da Reunião do Conselho de Administração: “Aprovada a renúncia de André Luiz Carneiro de Vasconcellos aos cargos de Diretor de Estratégia, Planejamento e de Relações com Investidores da Companhia, com efeito imediato; e eleição de Raul Alves Araujo do Nascimento para o cargo de Diretor de Relações com Investidores, cumulado ao cargo de Diretor Financeiro, com mandato até a reunião do Conselho de Administração subsequente à assembleia geral ordinária da Companhia que deliberar sobre o exercício social a ser encerrado em 31 de dezembro de 2026.”
Em reação ao pedido de recuperação judicial e após dissolução da Diretoria, as ações da Fictor Alimentos S.A. (FICT3), única empresa do grupo listada na B3, despencavam próximo de 35,09% às 17h (horário de Brasília), negociadas a R$ 0,74. No acumulado do mês, a desvalorização supera 45%.
Novo diretor de RI da Fictor Alimentos
Em virtude da renúncia, o Conselho de Administração aprovou, ad referendum da reunião do colegiado a ser realizada quando da recomposição do órgão, a eleição de Raul Alves Araujo do Nascimento para o cargo de Diretor de Relações com Investidores.
A função será exercida de forma cumulativa ao cargo de Diretor-Financeiro da Fictor Alimentos.
A companhia informou que manterá seus acionistas e o mercado em geral atualizados sobre os desdobramentos relevantes relacionados aos temas divulgados.
Procurado pelo Monitor, Nascimento informou que não se manifestaria sobre os acontecimentos envolvendo a Fictor, nem sobre a forte queda das ações na Bolsa após o comunicado de Recuperação Judicial.
Vasconcellos disputa cadeira na CVM
A corrida pela última cadeira vaga na diretoria da CVM entrou em sua fase decisiva e ganhou contornos políticos. A indicação, que cabe ao presidente da República e depende de aval do Senado, é tratada como urgente diante do esvaziamento do colegiado, que hoje opera com apenas dois de seus cinco diretores.
Três perfis concentram as apostas: um advogado, um servidor de carreira da autarquia ou um profissional de Relações com Investidores, André Vasconcellos. Caso ele seja escolhido, será a primeira vez que a categoria terá assento no órgão máximo de regulação do mercado de capitais.
A renúncia de Vasconcellos ao cargo na Fictor é interpretada por interlocutores como um movimento estratégico para viabilizar sua candidatura. Sua ligação com o grupo era considerada como obstáculo relevante à nomeação.
O executivo, no entanto, nega qualquer relação entre sua eventual indicação e os episódios envolvendo o Banco Master, cuja liquidação ampliou a sensibilidade política do tema dentro do governo.
Nos bastidores de Brasília e da Faria Lima, Vasconcellos se apresenta como um candidato técnico, sem patrocínio empresarial, e afirma que, se indicado, formalizará impedimento para julgar casos que envolvam empresas com as quais teve vínculo recente.
Segundo apurações da imprensa, seu nome conta com sinalizações favoráveis dentro do governo, apoio transversal no Congresso e respaldo entre agentes do mercado financeiro.
Atuação na área de Relações com Investidores
Em nota ao Monitor do Mercado, Vasconcellos afirmou: “enquanto DRI Estatutário da Fictor Alimentos, exerci rigorosamente minhas funções de acordo com a legislação e a regulamentação aplicáveis, o Estatuto Social e as deliberações dos órgãos estatutários da Companhia.”
Vasconcellos ressalta que a companhia registrou aumento de 41,95% em seu valor de mercado ao longo de 2025. No momento de maior valorização, a capitalização em bolsa da Fictor Alimentos teria alcançado R$ 143,43 milhões, com alta de 123,16% em dezembro de 2024.
O executivo também declarou: “Durante minha gestão, a área de RI foi estratégica, integrada às decisões de planejamento, comunicação institucional e relacionamento com investidores e demais stakeholders do mercado de capitais.”
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Segundo Vasconcellos, as ações ordinárias FICT3 acumularam valorização de 76,79% entre o IPO reverso e o fim de 2025, desempenho que, segundo o próprio executivo, superou o dos principais índices de mercado no período.