O Banco do Japão (BoJ) manteve as taxas de juros inalteradas nesta sexta-feira (23), preservando o patamar de 0,75%, o mais alto em três décadas. A decisão ocorreu na primeira reunião do ano da autoridade monetária e já era amplamente esperada pelo mercado.
A decisão evitou uma surpresa diante da elevada sensibilidade dos mercados, que acompanham com atenção as incertezas fiscais no Japão e a volatilidade recente nos preços dos ativos financeiros.
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A reunião do BoJ ocorreu em meio a oscilações no mercado de títulos públicos japoneses, preocupações com as políticas do governo e um iene volátil, aumentando a atenção dos investidores sobre os próximos passos da política monetária.
No mês anterior, o Banco do Japão promoveu uma elevação histórica da taxa básica de juros, levando-a a 0,75% e encerrando um longo período de estímulos monetários no país.
Banco do Japão sinaliza continuidade condicionada do aperto
Inicialmente, os sinais emitidos pelo BoJ indicavam a manutenção dos juros. O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmou que a instituição segue comprometida em continuar o aperto monetário sob condições econômicas e de preços adequadas.
No relatório trimestral de perspectivas, o banco manteve a avaliação de que a inflação subjacente deve atingir a meta de 2% em um futuro próximo.
O conselho de política monetária projeta que a inflação ao consumidor, excluindo os preços de alimentos frescos, atinja 2,7% no ano fiscal que se encerra em março de 2026.
Para o período seguinte, a projeção é de alta de 1,9% até março de 2027 e de 2% no ano fiscal posterior.
Incerteza fiscal pressiona títulos locais e globais
As discussões sobre política fiscal vêm impactando o mercado de títulos japoneses e repercutiram também nos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e em outros mercados globais de dívida.
A primeira-ministra Sanae Takaichi confirmou a convocação de eleições antecipadas e afirmou que seu partido avalia suspender, por dois anos, o imposto nacional sobre vendas de alimentos e bebidas como medida de alívio da inflação.
Até o momento, não foram apresentados detalhes sobre como essa suspensão do imposto seria financiada, o que aumentou o clima de incerteza.
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Dissolução do Parlamento abre caminho para eleições
Autoridades do Banco do Japão afirmaram estar monitorando de perto os desdobramentos políticos, uma vez que o período eleitoral intensifica o debate sobre possíveis cortes de impostos e mudanças na política fiscal.
O ambiente político ganhou relevância adicional após a dissolução da Câmara Baixa do Parlamento japonês, formalizada nesta sexta-feira, abrindo caminho para eleições gerais antecipadas marcadas para 8 de fevereiro.
O gabinete liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi decidiu formalmente pela dissolução durante uma reunião realizada na manhã de sexta-feira e comunicou a decisão à sessão plenária da Câmara por meio de decreto imperial.
A eleição é considerada imprevisível após uma série de mudanças políticas registradas nos últimos três meses. Entre elas, o rompimento da antiga coligação governista, que durou cerca de 25 anos, ocorrido em outubro.
No mesmo mês, Sanae Takaichi foi eleita a primeira mulher a liderar o Japão. Mais recentemente, surgiu um novo e relevante partido de oposição.
Nova aliança da oposição ganha espaço
Em resposta à guinada política de Takaichi, o Partido Democrático Constitucional do Japão (CDP), que era o maior partido de oposição, e o Komeito, parceiro histórico do PLD por cerca de 25 anos, anunciaram a criação de um novo partido.
A nova legenda, chamada Aliança de Reforma Centrista, defende os princípios da constituição pacifista japonesa do pós-guerra.
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Campanha para eleições no Japão começa em janeiro
A campanha eleitoral, com duração prevista de 12 dias, tem início marcado para 27 de janeiro. Todas as 465 cadeiras da Câmara Baixa estarão em disputa.
Desse total, 289 cadeiras serão definidas por distritos uninominais e 176 por meio de representação proporcional em 11 blocos regionais.
Entre os demais partidos relevantes está o Partido Democrático para o Povo (DPFP), que possuía 27 cadeiras na Câmara Baixa dissolvida e tem como foco o crescimento salarial e o apoio às famílias trabalhadoras.
Outro destaque é o Sanseito, partido de direita com três cadeiras, que obteve avanços na Câmara Alta no ano passado com a bandeira “Japoneses em Primeiro Lugar”.



