O varejo brasileiro começou o ano com sinais de perda de fôlego e deve atravessar o primeiro semestre de 2026 com crescimento limitado e desempenho desigual entre os segmentos, segundo projeção do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR), em parceria com a FIA Business School.
A desaceleração do setor ocorre em um ambiente de consumo mais cauteloso, com oscilações modestas no Varejo Restrito e retração no Varejo Ampliado, sobretudo em setores mais sensíveis ao crédito e à renda.
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Segundo Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, o comportamento projetado reflete mudanças no padrão de consumo das famílias.
“O comportamento projetado para os próximos meses reflete um ambiente de consumo mais seletivo, com famílias priorizando itens essenciais e segmentos de maior valor agregado ou vinculados à tecnologia, enquanto bens duráveis e itens mais dependentes de financiamento enfrentam maior volatilidade.”
Felisoni avalia que esse cenário exige estratégia refinada por parte das empresas, com gestão rigorosa de estoques, política comercial mais assertiva e monitoramento constante dos indicadores de demanda.
Varejo restrito deve crescer pouco
O Varejo Restrito, que inclui bens de consumo (exceto materiais de construção e automóveis), deve apresentar variações limitadas ao longo dos próximos meses.
A projeção do IBEVAR aponta leve variação negativa de 0,21% em março na comparação com o mês anterior e queda de 0,29% em relação a março de 2025.
Apesar da retração pontual, o setor mantém crescimento acumulado de 0,55% no ano e alta de 1,17% em 12 meses.
Para abril, a expectativa é de estabilidade, com variação mensal de 0,06% e crescimento interanual de 0,08%.
Já em maio, a projeção indica estabilidade frente a abril e avanço de 0,37% na comparação anual, consolidando um ritmo moderado de expansão do comércio.
Varejo ampliado enfrenta cenário mais desafiador
O Varejo Ampliado, indicador que inclui segmentos mais dependentes de crédito, como veículos e material de construção, deve apresentar desempenho mais fraco no próximos meses.
Para o mês de março, a estimativa é de retração de 1,94% sobre fevereiro e queda de 3,73% na comparação anual. Com isso, o setor acumula baixa de 1,53% no ano e recuo de 0,56% em 12 meses.
Já para abril, a projeção indica manutenção do viés negativo, com retração mensal de 1,40% e queda interanual de 3,07%.
Apenas em maio aparece uma reação pontual na margem, com alta de 1,56% em relação a abril, embora o desempenho anual permaneça negativo, com queda de 1,58%.
Contrastes relevantes entre os setores do varejo
Em uma análise setorial, o estudo revela contrastes importantes entre os diferentes ramos do comércio. O segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos segue como destaque positivo. A projeção indica crescimento interanual de 4,43% em março e alta acumulada de 5,48% no ano.
Outro grupo com desempenho positivo é o de supermercados, hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que apresenta crescimento de 0,79% frente a março de 2025 e alta acumulada de 1,08% no ano.
Por outro lado, os segmentos mais ligados ao crédito e a bens duráveis apresentam maior pressão — o setor de material de construção registra queda interanual de 7,41% em março e recuo acumulado de 5,51% no ano.
Em veículos, motos, partes e peças, a retração é de 3,96% em relação a março de 2025. Já o segmento de móveis e eletrodomésticos apresenta queda de 0,79% na comparação anual de março.
Por fim, o setor de livros, jornais, revistas e papelaria permanece em trajetória estrutural de queda, com retração interanual de 12,41% em março.
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Tecnologia puxa crescimento em parte do comércio
Na direção oposta, o segmento de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação apresenta expansão expressiva.
A projeção indica crescimento interanual de 13,71% em março e alta acumulada de 16,10% no ano, sinalizando dinamismo em segmentos ligados à tecnologia e à digitalização.



