O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), registrou alta de 0,32%, aos 182.509,14 pontos nesta terça-feira (24), em um pregão marcado pela cautela dos investidores diante dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e pela repercussão da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) referente à última decisão de política monetária.
Após o fechamento do mercado, notícias sobre a possibilidade de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã impulsionaram o Ibovespa futuro e provocaram uma queda pontual nos preços do petróleo. O movimento, no entanto, perdeu força rapidamente, com o mercado cético quanto à possibilidade de finalização da guerra.
No cenário doméstico, a ata do Copom reforçou um tom mais cauteloso ao destacar que o ambiente econômico permanece cercado de incertezas em relação ao cenário externo.
O desempenho do Ibovespa foi sustentado principalmente por ações ligadas a commodities. Os papéis da Vale avançaram 0,79%, enquanto as ações da Petrobras registraram ganhos de 2,51% (ON) e a de 2,69% (PN), em meio à forte alta do petróleo no mercado internacional ao longo do dia.
O barril do tipo Brent chegou a subir cerca de 4,5%, sendo negociado acima de US$ 100, refletindo as preocupações do mercado com possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre a oferta global da commodity.
Apesar do desempenho positivo das empresas ligadas a commodities, o avanço do índice foi limitado pela queda das ações do setor financeiro. O Banco do Brasil foi o principal destaque negativo do dia, com recuo de 1,29%.
Entre as maiores altas do dia ficaram Minerva, que avançou 4,8%, seguida por MRBF, com ganho de 3,37%. Do lado das quedas, o destaque foi Azzas, que recuou 2,83% no pregão.
No câmbio, o dólar encerrou o dia em alta de 0,28% ante o real, cotado a R$ 5,25, com valorização global da moeda diante do aumento da percepção de risco relacionado à guerra no Oriente Médio.
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No cenário internacional, relatos sobre um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, trazem alívio imediato aos ativos de risco e pressionam os preços do petróleo abaixo de US$ 100 nesta quarta-feira (25).
Segundo as informações da imprensa internacional, o governo de Donald Trump teria enviado a Teerã, por meio de autoridades do Paquistão, uma proposta de trégua por um mês. A proposta incluiria ainda 15 pontos voltados à redução das tensões no Oriente Médio. Entre eles, estaria o compromisso do Irã de nunca desenvolver armas nucleares, com a retomada do monitoramento de suas instalações pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Entre as medidas mais sensíveis, o acordo incluiria a desativação e destruição das principais instalações nucleares iranianas, incluindo os complexos de Natanz Nuclear Facility, Isfahan Nuclear Technology Center e Fordow Fuel Enrichment Plant. O urânio enriquecido existente seria entregue à AIEA, enquanto o país também teria de interromper o apoio a grupos aliados na região, como o Hamas e o Hezbollah. A proposta ainda exigiria o abandono do fornecimento de armamentos a milícias no Oriente Médio.
O plano também prevê a criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
Em contrapartida, os Estados Unidos suspenderiam as sanções econômicas impostas ao Irã, incluindo a retirada de mecanismos que permitem o restabelecimento automático dessas penalidades.
Apesar das notícias, o governo iraniano nega que esteja em diálogo com Washington. Um porta-voz de Teerã ironizou a situação ao afirmar que os americanos estariam “negociando consigo mesmos”. Ao mesmo tempo, autoridades iranianas tentaram elevar o tom da retórica, afirmando que o país poderia bombardear toda a região do Golfo Pérsico caso os Estados Unidos optem por uma invasão terrestre.
No Brasil, a escalada recente do petróleo também pressiona o governo a buscar alternativas para conter o preço dos combustíveis. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou aos estados uma proposta de subvenção direta ao diesel, em vez de zerar o ICMS sobre o produto.
A ideia prevê um subsídio de R$ 1,20 por litro, sendo R$ 0,60 bancados pela União e R$ 0,60 pelos governos estaduais. O custo total estimado da medida é de R$ 3 bilhões. O benefício teria caráter temporário, com validade até 31 de maio, e o governo federal espera uma resposta dos estados até sexta-feira, quando ocorre reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), em São Paulo.
Segundo o governo, a medida é necessária diante do risco de desabastecimento, além de atender a um pedido dos próprios governadores, que alegam não ter margem fiscal para abrir mão da arrecadação do ICMS.
A pressão sobre os combustíveis já tem reflexo nas contas públicas. Após a decisão de zerar a alíquota de PIS/Cofins sobre o diesel, o relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas, divulgado pelo governo nesta terça-feira estima uma perda de R$ 21 bilhões na arrecadação federal em 2026.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, não descarta a adoção de novas medidas para conter os preços, caso a volatilidade no mercado internacional de petróleo persista.
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Manchetes desta manhã
- PF faz operação contra fraudes de mais de R$ 500 mi contra Caixa; CEO da Fictor é um dos alvos (Valor)
- Acionista da Oncoclínicas propõe aporte de R$ 500 mi e pede assembleia para destituir conselho (Folha)
- Negociações entre EUA e Irã podem acontecer no Paquistão neste fim de semana (Estadão)
- Planalto recebe caminhoneiros em meio à crise do diesel (O Globo)
Mercado global tem alívio com queda nos preços do petróleo
As Bolsas da Europa seguem o otimismo do mercado após notícias sobre um plano de cessar-fogo apresentado pelos EUA ao Irã.
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão desta quarta-feira em alta com a queda de cerca de 5% no petróleo, movimento que reduz pressões inflacionárias e beneficia economias importadoras de energia, como Japão e Índia, ao diminuir o risco de um aperto monetário mais agressivo.
O índice Nikkei do Japão subiu 2,87% e o KOSPI da Coreia do Sul subiu 1,59%, enquanto na China Xangai ganhou 1,30% e o Shenzhen fechou em alta de 1,95%.
Em Nova York, os índices futuros abriram em alta nesta quarta-feira (25), impulsionados pela expectativa sobre negociações para um cessar-fogo entre EUA e Irã.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,81%
- FTSE 100: +1,25%
- CAC 40: +1,66%
- Nikkei 225: +2,87%
- Hang Seng: +1,09%
- Shanghai SE Comp: +1,30%
- Ouro (abr): +3,47%, a US$ 4.554,9 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,06%, aos 99,429 pontos
- Bitcoin: +2,53% a US$ 71.147,26
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Commodities
- Petróleo: os contratos futuros abriram a sessão em forte queda diante das notícias de um possível plano de cessar-fogo entre EUA e Irã. Embora Teerã negue negociações, a perspectiva de redução das tensões no Oriente Médio anima os mercados e levaram o Brent novamente para abaixo de US$ 100 por barril.
Há pouco, após reiteradas negativas do Irã sobre acordo com os EUA, o Brent reduziu a queda para 3,8% e voltou a ser negociado na faixa de US$ 100 o barril (US$ 100,52), enquanto o WTI cai 3,69%, cotado a US$ 88,94. - Minério de ferro: fechou em queda de 1,83%, na Bolsa de Dalian, na China, negociado a US$ 116,9.
A queda ocorre após a ativação de um protocolo de combate à poluição do ar em Tangshan, que normalmente implica restrições a operações industriais com alta emissão de carbono.
Analistas da Nanhua Futures também apontam que a demanda fraca pelo minério de ferro continua pressionando os preços no longo prazo.
Cenário internacional
Nos EUA, entre os eventos do dia, investidores acompanham o discurso de Stephen Miran, dirigente do Federal Reserve (Fed), previsto para 17h10.
No cenário geopolítico, os mercados acompanham novos desdobramentos no conflito envolvendo o Irã após a revelação de que os Estados Unidos enviaram a Teerã uma proposta de 15 pontos para encerrar a guerra, segundo informações do jornal The New York Times.
Em comunicado, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que há esforços diplomáticos em andamento, mas ressaltou que a operação militar continua ativa para atingir os objetivos definidos pelo presidente Donald Trump.
Nesta quarta-feira, a missão do Irã junto à Organização das Nações Unidas declarou que navios não hostis poderão atravessar o Estreito de Ormuz, desde que recebam autorização das autoridades iranianas competentes — sinal que pode ajudar a reduzir temores sobre interrupções no fluxo global de petróleo.
No Reino Unido, os dados de inflação também ficaram no radar. O índice de preços ao consumidor (CPI) registrou alta anual de 3% em fevereiro, repetindo o mesmo ritmo observado em janeiro.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda econômica inclui a divulgação dos índices de Confiança do Consumidor de março e do fluxo cambial da última semana.
Também serão publicados os dados de fevereiro da dívida pública federal, indicador acompanhado de perto pelo mercado para avaliar a trajetória fiscal do país.
Em meio às negociações no setor de combustíveis, os caminhoneiros anunciaram uma greve de 24 horas no porto de Santos, com início às 8h desta quinta-feira.
Segundo o Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas a Granel de Santos, Guarujá e Cubatão, a paralisação é um protesto contra a cobrança pelo uso de pátios reguladores, exigida como condição para que caminhoneiros possam acessar as operações portuárias.
A mobilização ocorre no principal complexo portuário do país, o Porto de Santos, e pode gerar impactos temporários no fluxo de cargas caso a adesão seja significativa.
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Destaques do mercado corporativo
- PRIO: o Goldman Sachs montou posição em derivativos equivalente a cerca de 4,9% das ações ON da petroleira, ampliando sua exposição financeira ao papel.
- Shell: o Cade aprovou a venda de 20% dos campos Orca e Sul de Orca, na Bacia de Santos, para a estatal kuwaitiana Kufpec; a operação ainda depende de aval regulatório.
- Metalúrgica Gerdau: a BlackRock reduziu sua participação para 4,768% das ações preferenciais após alienação de papéis no mercado.
- Oncoclínicas: a gestora Mak Capital propôs aporte de R$ 500 milhões condicionado à substituição do atual conselho de administração.
- Magazine Luiza: aprovou dividendos adicionais de R$ 0,055 por ação, alterando a destinação do lucro de 2025.
- Mercado Livre: anunciou plano de investir R$ 57 bilhões no Brasil em 2026, incluindo a abertura de 14 novos centros de distribuição.



