Bolsa fechou o pregão desta segunda-feira em alta, impulsionada pelas ações dos bancos e Petrobras, mas limitada pela forte queda da Vale e commodities, e ao fim do pregão, não conseguiu voltar ao patamar dos 100 mil pontos.
Após abrir em queda, a Bolsa passou a virar junto com os papéis da Petrobras após a companhia anunciar a nomeação do diretor executivo de Exploração e Produção, Fernando Borges como presidente interino da companhia, e a renúncia de José Mauro Coelho até a eleição e posse do novo presidente, o que reduz o ruído em relação a uma possível investigação política sobre os lucros da companhia sugerida pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, após a companhia aumentar os preços dos combustíveis.
O Ibovespa, o principal índice da B3 encerrou a sessão estável, em alta de 0,02%, aos 99.852,67 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em agosto subiu 0,28%, aos 101.635 pontos. O volume financeiro foi de R$ 17,3 bilhões. Em Nova York, as bolsas não operaram devido ao feriado e os índices futuros fecharam mistos.
As ações do Bradesco (BBDC3 anunciar o pagamento de R$ 2 bilhões em dividendos. As ações do Itaú, Santander e Banco do Brasil acompanharam o movimento positivo e ganharam 4,34%, 0,76% e 2,13%.
As da Petrobras (PETR3 recuperando parte das fortes perdas das últimas semanas – só na última sexta, a estatal perdeu R$ 27,3 bilhões em valor de mercado, segundo a plataforma de dados financeiros Economatica.
Pela manhã, os papéis mostraram forte volatilidade e chegaram a ter as negociações suspensas por duas vezes no início do pregão devido aos comunicados sobre a renúncia do presidente da companhia, José Mauro Coelho, e da nomeação de Fernando Borges para ocupar a presidência interinamente. A retirada temporária de uma ação do pregão é adotada sempre que há alguma divulgação ou movimento de mercado capaz de provocar oscilações potencialmente prejudiciais à operação.
Já as petrolíferas Petro Rio (PRIO3) e 3R Petroleum (RRRP3) caíram 0,65% e 3,31%, em meio às discussões políticas sobre preços praticados pela estatal e possíveis taxações do setor de óleo e gás.
Além do pedido de demissão apresentado por seu presidente, a Petrobras anunciou o pagamento de dividendos no valor de R$ 1,857745 por ação ordinária e preferencial, no total de R$ 24,2 bilhões, referente a primeira parcela de remuneração aos acionistas aprovada pelo conselho de administração em reunião realizada em maio. A segunda parcela está prevista para 20 de julho.
As ações da Vale (VALE3) – que representam 16% das ações negociadas no Ibovespa – registraram forte queda (-2,46%), assim como as de CSN Mineração (CMIN3, -3,98%), Braskem (-2,40%), em dia de forte queda do minério de ferro devido à política de combate ao Covid-19 que impõe restrições e reduz a demanda por matérias-primas na China.
Para José Costa, economista-chefe da Codepe Corretora, a liquidez está baixa por conta do feriado nos Estados Unidos, além da questão com a China, que deve permanecer enquanto o país asiático continuar a mostrar dificuldades no combate à pandemia de Covid-19 e continuar a anunciar aberturas e fechamentos.
Em relação à Petrobras, o movimento de hoje pode ser visto como uma forma de atender o estatuto da companhia e seguir os ritos legais de troca de comando, além de evitar a instalação de uma CPI contra o executivo. “Por que o governo não usa o valor que recebe de dividendos para criar um subsídio à população”, opina o analista.
Hoje, a Petrobras pagará em dividendos, dos quais a União receberá mais uma parcela, de R$ 8,8 bilhões, do lucro da estatal. Essa cifra faz parte de um total de R$ 32 bilhões apenas em dividendos que serão pagos até julho ao governo. Desde o início da gestão Bolsonaro, em 2019, o governo já recebeu R$ 447 bilhões da estatal, entre impostos, royalties e dividendos.
O mercado deve seguir volátil com o temor de recessão e políticas de ajuste fiscal mais duras. “O mercado está muito difuso, não está muito firme. O investidor precisa olhar a relação preço por lucro (P/L) das companhias. Se o P/L estiver em 180, 190 é complicado. Para frente a preocupação é com a elevação de juros nos Estados Unidos. A ideia é fechar o ano em 3,25%, mas vai depender da inflação, que tem que ficar abaixo de 8%, então é preciso trabalhar no dia dia”, comenta o Costa.
Cynara Escobar / Agência CMA
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