O governador do Paraná, Ratinho Junior, propôs uma redução significativa do IPVA, passando a alíquota de 3,5% para 1,9%, uma das mais baixas do país. Essa mudança visa beneficiar cerca de 3,4 milhões de proprietários de veículos, representando uma redução de 45% no imposto atual. A medida, no entanto, levanta preocupações em relação ao impacto sobre os repasses financeiros às prefeituras, uma vez que 50% do IPVA arrecadado é destinado aos municípios.
Principais pontos da proposta de redução do IPVA

A proposta de redução do IPVA apresentada pelo governo estadual busca tornar a alíquota do Paraná uma das menores do Brasil, diminuindo o imposto de 3,5% para 1,9%. Essa medida pretende aliviar a carga tributária dos proprietários de veículos, atingindo cerca de 3,4 milhões de pessoas. Além de beneficiar diretamente os contribuintes, o governo argumenta que a medida pode estimular a renovação da frota e incentivar maior circulação de recursos na economia estadual.
No entanto, a proposta também gera receios quanto à diminuição dos recursos que são destinados aos municípios, já que metade do valor arrecadado com o IPVA compõe os orçamentos locais. A Secretaria da Fazenda estima uma queda de cerca de R$ 2,8 bilhões na arrecadação estadual em 2025, o que representa quase 40% do montante previsto inicialmente para o tributo.
Esse cenário coloca em debate o equilíbrio entre o alívio tributário proporcionado à população e a manutenção da capacidade das prefeituras de prover serviços públicos essenciais, como saúde, educação e infraestrutura.
Impactos da redução sobre a arrecadação estadual e municipal
A diminuição do IPVA deve causar um déficit relevante nas receitas tanto do estado quanto dos 399 municípios do Paraná. O valor estimado de R$ 2,8 bilhões pode comprometer investimentos e a continuidade de projetos importantes em áreas estratégicas. Em cidades de médio e grande porte, como Curitiba, há preocupação com possíveis cortes em setores fundamentais.
Como o IPVA compõe uma parcela expressiva do orçamento municipal, prefeituras já buscam alternativas para adequar seus planos de gastos. Algumas delas cogitam redirecionar recursos próprios ou recorrer ao apoio do governo estadual para garantir a continuidade de programas essenciais.
Apesar dessa queda prevista, o governo acredita que o aumento da circulação econômica pode potencializar outras fontes de arrecadação, especialmente o ICMS, tentando assim compensar a redução nos repasses do IPVA aos municípios.
Reações dos prefeitos e lideranças locais à medida
Prefeitos de cidades como Curitiba, Londrina e Maringá têm demonstrado preocupação e advertem que a redução pode limitar investimentos em saúde, transporte e manutenção de vias públicas. Muitos defendem que o governo estadual apresente alternativas para compensar as perdas e garanta apoio financeiro durante o período de transição.
Por outro lado, há gestores municipais, como Elizabeth Schmidt de Ponta Grossa, que apoiam a ideia desde que o Estado institua mecanismos de compensação. Eles reconhecem o potencial benefício para os contribuintes, mas ressaltam a necessidade de segurança orçamentária para as prefeituras.
O diálogo entre governo estadual e municipalidades segue intenso, com debates em torno de propostas que possam minimizar os impactos negativos e definir critérios claros para a transferência de recursos compensatórios.
Perspectiva do governo estadual para o ciclo econômico
O governo do Paraná defende a medida como um estímulo ao consumo, alegando que famílias com menor despesa em impostos poderão consumir mais, aquecendo a economia local. O aumento do consumo, por sua vez, pode gerar maior arrecadação de outros impostos, como ICMS, beneficiando indiretamente os municípios.
Autoridades estaduais ainda apostam na redução da inadimplência e no incremento das multas por atraso, fatores que podem amenizar as perdas iniciais do IPVA. Além disso, prevê-se que o impacto positivo na atividade comercial compense, ao menos parcialmente, a queda na arrecadação do imposto sobre veículos.
A gestão de Ratinho Junior acredita que, a longo prazo, a redução do IPVA pode resultar em um ciclo virtuoso, com benefícios para toda a economia estadual e consequente incremento nas receitas fiscais globais.
Críticas, desafios e alternativas debatidas
A oposição e entidades de classe manifestaram preocupação com impactos sem planejamento, sugerindo que o estado arque integralmente com as perdas, para preservar serviços públicos essenciais. Questiona-se ainda o momento da proposta, mencionando possíveis objetivos eleitorais diante do cenário político de 2026.
Especialistas em finanças públicas sugerem a criação de fundos de compensação e a revisão de repasses voluntários para municípios, a fim de evitar descontinuidade em políticas públicas e investimentos. Outra proposta debatida é o uso temporário de recursos estaduais para atender municípios mais dependentes do IPVA.
A busca por equilíbrio fiscal, sem prejudicar áreas como saúde e educação, é o principal desafio colocado tanto para o governo do Estado quanto para as prefeituras, que aguardam definições e garantias de estabilidade orçamentária.
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Próximos passos e expectativas para a tramitação do projeto
O projeto de redução do IPVA ainda será analisado e debatido na Assembleia Legislativa do Paraná, onde deve receber emendas e sugestões dos parlamentares. Espera-se que o tema gere amplo debate público, com audiências e participação da sociedade civil organizada.
Enquanto isso, entidades municipalistas intensificam o diálogo com o governo estadual na busca de alternativas para mitigar impactos negativos e assegurar que os serviços essenciais não sejam comprometidos no curto prazo.
Ao final, a decisão sobre a redução do IPVA será resultado do debate político e das negociações entre as esferas estadual e municipal, com expectativa de que haja uma solução de equilíbrio entre alívio tributário e proteção das políticas públicas locais.


