Em um dia de otimismo aqui e no exterior, a Bolsa fechou em alta embalada pelos papéis da Petrobras com o aumento do petróleo e expectativas para a assembleia da estatal em que deve eleger os nomes de José Mauro Ferreira Coelho para o comando da petrolífera e Marcelo Andrade Weber para o Conselho de Administração.
Outro fator positivo que impactou no Ibovespa foi o resultado das vendas no varejo, divulgadas mais cedo pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados superaram as previsões do mercado e cresceram 1,1% em fevereiro na comparação mensal e 1,3% em relação ao mesmo período de 2021.
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O principal índice da B3 subiu 0,54%, aos 116.781,96 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em abril avançou 0,28%, aos 116.880 pontos. O giro financeiro foi de R$ 62,8 bilhões. Em Nova York, as bolsas fecharam em alta.
O destaque de alta no Ibovespa ficou para as ações da Ultrapar (UGPA3) -subiram 4,03%-devido ao anúncio feito pela empresa de que vai recomprar US$ 550 milhões em títulos de dívidas. Os papéis da Petrobras (PETR3 e PETR4) avançaram 2,45% e 2,12%.
Com o bom desempenho das vendas no varejo, as ações das Americanas SA (AMER3), Magazine Luiza (MGLU3) e Lojas Renner (LREN3) se beneficiaram e registraram alta de 1,88%, 1,00% e 1,79%
Rob Correa, analista de investimentos CNPI, disse que a alta é atribuída pelas ações da Petrobras e vendas no varejo. “O tom de otimismo reflete o contexto de altas expectativas, em parte, pela assembleia geral da Petrobras, e pelos dados da boa performance das vendas no varejo”. Na Petrobras também existe um pleito interno para reduzir as decisões do governo na companhia.
Mais cedo, Maurício Carlos Machado Jr, head de renda variável da Speed Invest, comentou que a alta moderada da Bolsa é atribuída à Petrobras e o comércio varejista. “A Petrobras segue o preço do petróleo e com a expectativa da assembleia dos acionistas de hoje e as vendas no varejo, que superaram as expectativas pela segunda vez, ajudam no movimento positivo do índice”.
O head de renda variável da Speed Invest acrescentou que o aumento de inflação aqui e nos Estados Unidos e possível elevação de juros são persistentes e preocupam o mercado. “A inflação já fez com que o Fed assumisse uma posição mais dura em relação aos juros. São esperados de um a dois aumentos, na ordem de 0,50 ponto porcentual (pp) para as próximas reuniões [do Fed] pressionando bastante a economia. Por aqui, o cenário mudou um pouco e as casas de análises e corretoras estão trabalhando com juros um pouco maior, com projeção para o final do ano em uma Selic na ordem de 14%”.
Ele comentou que com a inflação mais descontrolada e tendência de aumento de juros, o JP Morgan mostrou que as instituições financeiras devem desvalorizarem, principalmente com o potencial aumento de inadimplência. “Tanto nos Estados Unidos como no Brasil, os bancos que conseguirem manter os índices de inadimplência mais baixos durante este período terão destaque maior”.
E ressaltou que o mercado fica de olho no movimento das empresas para ver quais vão passar essa inflação para os consumidores. “Muitas [empresas] têm de absorver parte dessa inflação para não perder vendas, as que conseguirem um equilíbrio também terão um destaque mais expressivo”.
Soraia Budaibes / Agência CMA
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