Um veículo abastecido com etanol brasileiro emitem menos gases de efeito estufa do que veículos elétricos fabricados na Europa, Estados Unidos ou China, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A análise considera o ciclo completo dos automóveis, incluindo a fabricação da carroceria, das baterias, o transporte de peças, o abastecimento e o uso diário.
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No novo episódio do podcast Ligando os Pontos, Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor do Mercado, mostra como a avaliação do Brasil com métricas feitas no exterior esconde as vantagens reais da bioenergia tropical, da nossa matriz elétrica limpa e do uso eficiente da terra.
Confira o episódio completo:
Etanol brasileiro se beneficia da matriz elétrica
Segundo o estudo, a vantagem brasileira está na matriz energética usada na indústria e no combustível. A produção do etanol brasileiro ocorre em usinas que operam majoritariamente com energia renovável, como hidrelétrica e biomassa.
Já a fabricação de baterias em outros países depende de fontes mais emissoras, como carvão na China, gás natural nos Estados Unidos e carvão e gás na Europa. Por isso, mesmo que o veículo elétrico não emita poluentes no escapamento, seu ciclo completo pode gerar mais emissões.
Essa vantagem não aparece em relatórios internacionais porque as métricas de avaliação de emissões foram desenvolvidas para outras realidades.
Um exemplo é o critério ILUC (“mudança indireta do uso da terra”), que presume que qualquer expansão da produção agrícola ocorre sobre áreas de floresta. No Brasil, no entanto, parte da expansão do etanol ocorre em pastos degradados e em sistemas de integração lavoura-pecuária, reduzindo emissões.
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Gargalos no transporte pesado
Outro levantamento citado, da Climate Strategies, afirma que o transporte é o principal foco das emissões no Brasil. A dependência de caminhões — responsáveis por cerca de 65% do transporte de carga — aumenta a dificuldade de reduzir emissões.
Não há, hoje, uma tecnologia economicamente viável para substituir o diesel no transporte pesado. Baterias têm peso elevado, hidrogênio verde ainda tem custo alto e a infraestrutura necessária não está disponível.
A análise conclui que para a transição energética brasileira funcionar, é preciso investir em modelos alternativos de transporte, como ferrovias e hidrovias, reduzindo a dependência do transporte rodoviário.
Investimentos necessários para cumprir metas climáticas
Outro estudo, da Moody’s, calcula que o Brasil precisará investir entre 1% e 2% do PIB ao ano até 2030 para cumprir metas climáticas mínimas. Esses valores incluem gastos com infraestrutura, modernização industrial, expansão da energia limpa e melhorias no transporte.


