O dólar caiu 0,54% nesta terça-feira (2) e voltou a R$ 5,33, acompanhando um dia de maior apetite ao risco nos mercados internacionais. O cenário continua sendo influenciado pela expectativa de que o Federal Reserve (Fed) reduza os juros na próxima semana.
Operadores destacam que o movimento abriu espaço para corrigir perdas do real registradas ontem (1), quando o fluxo cambial foi negativo e houve ajustes em operações de carry trade após a valorização do iene.
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Hoje, a moeda brasileira ficou hoje entre os melhores desempenhos globais, atrás apenas do peso chileno. Profissionais de mercado apontam uma entrada pontual de recursos na bolsa doméstica, em um dia em que o Ibovespa subiu mais de 1% e ultrapassou pela primeira vez os 160 mil pontos.
Em fala ao Broadcast, Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, afirmou que o real reagiu mais do que outras moedas emergentes por conta da liquidez maior e da queda acentuada no dia anterior. Para ela, a valorização das divisas emergentes está relacionada à redução da aversão ao risco, com o mercado apostando majoritariamente em cortes de juros nos Estados Unidos.
Nos dois primeiros pregões de dezembro, o dólar acumula baixa de 0,08%. Em 2025, registra queda de 13,75%.
Dólar opera em leve alta no exterior
No exterior, o índice DXY — que compara o dólar a seis moedas fortes — operava em leve alta no fim da tarde, próximo de 99,300 pontos. Confira o gráfico DXY (em tempo real):
O destaque foi a queda de cerca de 0,30% do iene, que devolveu parte dos ganhos da véspera após sinais de possível alta de juros pelo Banco do Japão neste mês.
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Trump discute comando do Fed e fala sobre comércio com o Brasil
Nos Estados Unidos, Donald Trump afirmou que deve anunciar no início de 2026 o nome escolhido para presidir o Fed. Ele disse ter apenas “um nome em mente”, com Kevin Hassett permanecendo como o mais cotado. Trump também mencionou que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, seria sua escolha pessoal, embora não deseje assumir o cargo.
No Brasil, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) informou que Lula conversou com Trump por 40 minutos nesta terça-feira. Segundo o governo brasileiro, Lula avaliou como positiva a decisão dos EUA de retirar a sobretaxa de 40% aplicada a parte dos produtos brasileiros, como carne, café e frutas. A Secom destacou, porém, que cerca de 22% das exportações nacionais continuam sob sobretaxa.
Mais tarde, na Casa Branca, Trump afirmou ter tido “boa conversa” com Lula e mencionou que tratou de comércio e sanções econômicas relacionadas ao Brasil.

