Os mercados ficaram a semana na espera pela decisão de juros do Federal Reserve (Fed), prevista para a próxima quarta-feira (10). Dados econômicos de emprego e de inflação reforçaram as apostas de um corte de 25 pontos-base na próxima reunião.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu pessoalmente as articulações políticas para reduzir tensões com o Congresso e o Senado e evitar a paralisação das votações de projetos de interesse do governo.
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Após o almoço desta sexta-feira (5), surgiu a informação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro pretende lançar seu filho, Flávio Bolsonaro, como candidato à Presidência em 2026. A possibilidade foi interpretada por analistas como um fator que tende a fortalecer Lula.
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Brasil: Cenário político
A sabatina de Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), foi cancelada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O movimento elevou a possibilidade de rejeição do nome indicado, algo inédito na história recente.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu manter a indicação, mesmo com o aumento das tensões políticas.
Uma decisão do ministro Gilmar Mendes determinou que apenas a Procuradoria-Geral da República pode apresentar denúncias contra ministros do STF e exigiu quórum qualificado de dois terços do Senado para aceitar pedidos de impeachment.
A medida ampliou o atrito entre o Supremo e o comando do Senado, aumentando incertezas sobre a relação institucional entre os poderes — um ponto acompanhado por investidores que monitoram risco político.
O Senado avançou no projeto que eleva a tributação sobre casas de apostas esportivas e fintechs. O objetivo é reforçar a arrecadação federal. Apesar de as receitas terem crescido acima da inflação em todos os meses, elas não acompanharam o ritmo dos gastos públicos, aumentando a pressão fiscal.
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O Congresso aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), que autoriza o governo a realizar contingenciamentos com base no piso da meta fiscal. O governo busca superávit primário de 0,25% do PIB.
O projeto antecipa o pagamento de 65% das emendas parlamentares até julho e exclui cerca de R$ 10 bilhões das estatais da meta fiscal. Analistas afirmam que a proliferação de exceções pode reduzir a credibilidade do arcabouço fiscal e dificultar a estabilização da dívida pública — tema sensível para investidores.
Indicadores econômicos
O Boletim Focus revisou para baixo as previsões de inflação, agora em 4,43% para 2024 e 4,17% para 2025, ambas dentro do intervalo da meta. A expectativa para a taxa Selic segue em 12% no fim de 2026 e caiu para 10,50% em 2027.
A produção industrial de outubro subiu 0,1%, abaixo da projeção de 0,4%. Na comparação anual, houve queda de 0,5%. O desempenho indica desaceleração da atividade econômica.
O PIB do terceiro trimestre cresceu 0,1%, consolidando expectativas de um ciclo de cortes da Selic já no início de 2025.
EUA: Apostas de corte de juros aumentam
O relatório ADP mostrou fechamento de 32 mil vagas no setor privado americano, contrariando a expectativa de criação de 5 mil. O dado reforçou as apostas de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros na decisão do Federal Reserve marcada para 10 de dezembro.
Após semanas sem divulgação devido ao shutdown, o PCE — o índice de inflação preferido do Fed — registrou alta de 0,2% em setembro, repetindo o resultado anterior. Em 12 meses, o indicador acumula 2,8%.
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Os mercados: Bolsa cai com notícia sobre Flávio Bolsonaro
A semana caminhava para encerrar em forte alta. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, superava 165 mil pontos, o dólar operava abaixo de R$ 5,30 e o DI janeiro de 2027 estava em 13,54%.
Na tarde desta sexta-feira, o noticiário político mudou o cenário. Informações de que o ex-presidente Jair Bolsonaro pretende lançar Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência em 2026 derrubaram a bolsa em cerca de 7 mil pontos e elevaram o dólar para R$ 5,43.
Analistas interpretaram que uma candidatura Bolsonaro pode fragmentar a direita e favorecer Lula em 2026 — hipótese que aumenta a incerteza política monitorada pelos investidores.
Nos Estados Unidos, a expectativa de corte de 25 pontos-base na próxima quarta-feira impulsionou a bolsa americana, que sobe 16% no ano, e o ouro, que acumula valorização superior a 60% em 2025.
O Treasury de 10 anos, porém, registrou alta na taxa, avançando de 4,01% para 4,14%, movimento que reduz o preço dos títulos e costuma sinalizar reprecificação de risco.




