As ações da Oracle (NYSE: ORCL) chegaram a cair 11,3% no pré-mercado da Bolsa de Nova York nesta quinta-feira (11), em um movimento provocado por um conjunto de sinais contraditórios: lucro trimestral acima do esperado, uma previsão considerada fraca para o trimestre atual e um salto expressivo nos gastos com infraestrutura para inteligência artificial (IA).
A divulgação trouxe de volta a discussão sobre o ritmo em que a empresa conseguirá transformar seus investimentos bilionários em capacidade de nuvem — e, principalmente, em retorno financeiro.
- ⚡ Investir sem estratégia custa caro! Garanta aqui seu plano personalizado grátis e leve seus investimentos ao próximo nível.
Às 13h15 as ações da Oracle caíam 13,92%, cotadas a US$ 191,98.
Lucro da Oracle dispara com venda da Ampere, mas receita fica abaixo das projeções
A Oracle reportou lucro por ação ajustado de US$ 2,26, superando a expectativa de Wall Street (US$ 1,64) e o resultado do ano anterior (US$ 1,47).
O desempenho foi impulsionado pela venda da participação na Ampere Computing ao SoftBank, por US$ 2,7 bilhões, acrescentando US$ 0,91 ao lucro antes dos impostos por ação.
Já a receita do trimestre somou US$ 16 bilhões, ligeiramente abaixo da previsão de US$ 16,1 bilhões, mas crescendo 14% em 12 meses.
Em outra divulgação, a companhia informou receita de US$ 16,06 bilhões, também inferior aos US$ 16,19 bilhões estimados por analistas.
Investimentos em IA aumentam tensão entre investidores
O principal foco de incerteza em relação à Oracle neste momento está no avanço das despesas para ampliar a infraestrutura de IA. O capex atingiu US$ 12 bilhões, salto em relação aos US$ 8,5 bilhões do trimestre anterior e muito acima dos US$ 8,25 bilhões esperados.
A Oracle projeta agora US$ 50 bilhões em capex até maio de 2026, que corresponde a um aumento de US$ 15 bilhões frente à previsão feita em setembro.
O CFO Doug Kehring declara: “A grande maioria dos nossos investimentos de capex é direcionada a equipamentos geradores de receita que entram nos nossos data centers, não para terrenos, prédios ou energia, que são cobertos por meio de contratos de leasing. A Oracle não paga por esses leases até que os data centers concluídos e as utilidades associadas sejam entregues.”
O ritmo acelerado desses investimentos, porém, reduz margens e pressiona o caixa.
Backlog recorde reforça demanda por nuvem
A carteira de pedidos (“backlog”) subiu para US$ 523 bilhões, alta de US$ 68 bilhões em relação ao trimestre anterior. O valor é visto como essencial para a transição do modelo de negócios da Oracle, que historicamente se apoiava em software corporativo de margens altas.
O indicador de compromissos futuros, remaining performance obligation, também atingiu US$ 523 bilhões, superando estimativas de US$ 519 bilhões.
As vendas de cloud subiram 34%, para US$ 7,98 bilhões, enquanto a receita de infraestrutura avançou 68%, para US$ 4,08 bilhões. Esses números, embora elevados, ficaram marginalmente abaixo das expectativas.
A participação da nuvem na receita total já se aproxima de 50%. Ao mesmo tempo, o negócio de software legado caiu 1% no ano.
A margem operacional ajustada também recuou, passando de 43,4% para 41,9%, refletindo os maiores gastos com expansão.
Efeito OpenAI e projeto Stargate aumentam a volatilidade
A ação da Oracle já vinha instável desde o trimestre anterior. O backlog registrou aumento extraordinário de US$ 300 bilhões, puxado quase integralmente por um único contrato com a OpenAI, classificada no texto original como empresa “deficitária” e sem os recursos necessários para cumprir o valor do contrato.
Após a euforia inicial, com alta de 36%, as ações caíram 33% desde que essas informações vieram à tona.
A Oracle também integra o projeto Stargate, que prevê investimentos de meio trilhão de dólares em data centers nos Estados Unidos. O primeiro centro foi inaugurado em setembro.
Dívidas crescem, enquanto caixa da Oracle recua
O avanço da infraestrutura exigiu captação de recursos. A Oracle adicionou US$ 18 bilhões em dívidas em setembro e agora possui US$ 106 bilhões em dívida total.
A queima de caixa dos últimos 12 meses soma US$ 13 bilhões, e o free cash flow do trimestre ficou negativo em US$ 10 bilhões.
Os credit default swaps (CDS) da empresa (contratos usados como proteção contra calote) voltaram a subir após a divulgação dos resultados.
Segundo o CEO Clay Magouyrk, o financiamento necessário será menor do que os US$ 100 bilhões estimados por alguns analistas: “Estamos comprometidos em manter nossa classificação de dívida com grau de investimento.”
A Oracle manteve a projeção de US$ 67 bilhões para a receita anual. Para o trimestre que encerra em fevereiro, a Oracle projeta um crescimento de 19% a 22% na receita e alta de 40% a 44% nas vendas de nuvem.
Segundo Kehring, ambas as projeções estão alinhadas às expectativas do mercado.
- 📩 Os bastidores do mercado direto no seu e-mail! Assine grátis e receba análises que fazem a diferença no seu bolso.
UBS reduz preço-alvo da Oracle
O UBS reduziu o preço-alvo da Oracle de US$ 380 para US$ 325, mantendo a recomendação de compra. Segundo o banco, persiste a preocupação com o ritmo de conversão do backlog em receita; ponto que tem limitado a reação positiva do mercado.
A Oracle é negociada a US$ 191,96, com um P/L de 51,3, nível considerado elevado em comparação à média do setor de software.
O analista do UBS, Karl Keirstead, destacou que o comportamento das ações mudou em relação ao observado há três meses. Mesmo com o aumento de US$ 68 bilhões nas obrigações de desempenho remanescentes no trimestre, impulsionado por novos acordos com Meta e Nvidia, o mercado não respondeu com valorização.


