Os 11 maiores bancos centrais do mundo declararam “total solidariedade” ao presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, nesta terça-feira (13). O movimento ocorre após integrantes do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicarem a possibilidade de uma acusação criminal contra Powell.
O comunicado raro foi assinado por representantes do Banco Central Europeu (BCE), Banco da Inglaterra, Banco do Canadá, executivos do Banco de Compensações Internacionais (BIS), além das autoridades monetárias da:
- Suécia;
- Dinamarca;
- Suíça;
- Austrália;
- Coreia do Sul;
- Brasil;
- França.
Em nota publicada nesta manhã, o Banco Central brasileiro afirmou que as instituições reforçaram, no manifesto, que “a independência institucional é fundamental para assegurar a estabilidade de preços e o bem-estar dos cidadãos, sempre sob a égide do Estado de Direito e da transparência democrática”.
Powell vê investigação como instrumento de pressão
No último domingo (11), ele informou que a instituição recebeu intimações do Departamento de Justiça dos EUA relacionadas a declarações feitas ao Congresso sobre a reforma da sede do Fed em Washington, orçada em US$ 2,5 bilhões. As informações são da agência Reuters.
Para Powell, a investigação estaria sendo usada como instrumento de pressão para o banco central reduzir a taxa de juros, uma demanda recorrente do presidente Trump, que tem feito ameaças frequentes ao comando da autoridade monetária.
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Inflação mantém cautela dos investidores
Hoje, Donald Trump voltou a pedir cortes “significativos” nos juros após dados mostrarem que os preços ao consumidor (CPI) nos EUA subiram 2,7% em dezembro na comparação anual — menor nível desde julho.
Mesmo assim, investidores mantiveram apostas de que a inflação ainda acima da meta levará o Fed a manter os juros inalterados pelo menos até junho.
Durante a tarde, Trump reiterou que Powell é “ruim” e que escolherá novo presidente para o banco central norte-americano nas próximas semanas, segundo informações do site investinglive.
CEO do J.P. Morgan também defende Powell
Também nesta terça-feira (13), o CEO do J.P. Morgan, Jamie Dimon, também manifestou, durante uma teleconferência, apoio público a Powell. Segundo ele, a independência do Fed é amplamente reconhecida pelo mercado financeiro.
“Isso provavelmente não é uma boa ideia e, na minha opinião, terá as consequências opostas, aumentando as expectativas de inflação e provavelmente elevando as taxas ao longo do tempo”, completou.




