Escondida nas montanhas áridas do Cáucaso Norte, a aldeia de Dargavs, na Rússia (República da Ossétia do Norte), abriga um dos sítios arqueológicos mais misteriosos da região: a “Cidade dos Mortos”. Com 99 criptas medievais de pedra bem preservadas, a necrópole guarda os segredos de antigas epidemias.
Como as 99 criptas de pedra foram construídas nas encostas íngremes?
As criptas datam de um período que vai do século XIV ao XVIII e foram construídas com maestria pela etnia dos ossetas. A engenharia das tumbas utiliza pedras empilhadas com telhados em formato piramidal de degraus pontiagudos, projetados para não acumular a pesada neve do inverno do Cáucaso.
O isolamento geográfico do vale do Rio Gizeldon preservou as tumbas dos saqueadores e da destruição durante guerras modernas. Estudos arqueológicos catalogados pelo Instituto de Arqueologia da Academia Russa de Ciências indicam que a construção nas encostas servia para economizar as raras terras férteis do vale para o plantio.

O que causou a criação de uma necrópole tão vasta no vale?
A história mais aceita pela arqueologia moderna aponta para a ocorrência de epidemias de peste e cólera que assolaram a região montanhosa. Reza a tradição local que, quando famílias inteiras eram infectadas, elas entravam voluntariamente nas criptas de Dargavs com suprimentos, isolando-se para não espalhar a doença para o resto da aldeia, e aguardavam a morte.
Para comparar a logística mortuária desta cultura com práticas urbanas contemporâneas, observe a tabela histórica abaixo:
| Aspecto da Necrópole | Dargavs (Cidade dos Mortos – Séc. XVI) | Necrópoles Europeias Urbanas |
| Isolamento | Alto (Tumbas familiares em áreas secas e íngremes) | Baixo (Enterros em terrenos centrais de igrejas) |
| Conservação dos Corpos | Mumificação natural (frio e vento nas montanhas) | Decomposição padrão no solo |
Por que os corpos foram encontrados em barcos de madeira?
O maior mistério das criptas foi a descoberta de corpos enterrados dentro de pequenos barcos de madeira em formato de canoa. Como não existem rios navegáveis ou mares nas montanhas ao redor de Dargavs, os historiadores sugerem que a prática possuía um significado mitológico.
Acredita-se que os antigos ossetas possuíam uma crença de que os mortos precisavam cruzar um rio no submundo para alcançar a vida após a morte, uma influência cultural de tradições muito mais antigas e distantes.
Para desvendar os mistérios de um dos lugares mais enigmáticos do Cáucaso, selecionamos o conteúdo do canal ECOS DO TEMPO 2.0. No vídeo a seguir, os narradores explicam a história por trás de Dargavs, a “Cidade dos Mortos”, explorando as lendas e os fatos que cercam essa necrópole russa:
O local é seguro para a visitação de turistas modernos?
A “Cidade dos Mortos” é um local aberto ao turismo de aventura, mas o acesso exige viajar por estradas de montanha perigosas e sinuosas na Rússia. Os visitantes devem respeitar as regras estritas da Ossétia do Norte para a preservação das estruturas milenares.
Abaixo, apresentamos os dados do sítio arqueológico utilizando a Regra da Ponte:
- Número de Estruturas: 99 criptas de pedra familiares.
- Localização Geográfica: Vale do Rio Gizeldon, Ossétia do Norte.
- Elevação: Encostas acentuadas a mais de 1.200 metros de altitude.
- Design Arquitetônico: Telhados em degraus piramidais para evitar acúmulo de neve.
Qual o impacto da “Cidade dos Mortos” para a arqueologia do Cáucaso?
O sítio de Dargavs é um laboratório a céu aberto sobre a resistência humana. O excelente estado de conservação de roupas, joias e ferramentas encontradas dentro das criptas permitiu aos historiadores reconstruir a vida cotidiana do povo osseta durante a idade média.
Para o viajante que busca fugir das rotas tradicionais de Moscou e São Petersburgo, o Cáucaso oferece uma viagem austera e reflexiva. As 99 tumbas nos recordam que, diante das pragas da antiguidade, a resposta das comunidades montanhesas foi construir monumentos de pedra que superaram os séculos.











