Entre IOF, spread cambial, tarifas bancárias e custos de intermediação, uma transferência internacional pode consumir uma parcela relevante dos recursos antes mesmo de chegar ao destino. E as stablecoins têm sido a resposta para reduzir esse custo.
Para enfrentar o encarecimento das remessas, brasileiros estão recorrendo às stablecoins — ativos digitais pareados ao dólar — para movimentar recursos ao exterior por meio de estruturas que podem ocorrer sem a incidência do IOF aplicável a determinadas operações de câmbio.
O movimento vem chamando a atenção principalmente de empresários que realizam pagamentos internacionais recorrentes e de brasileiros interessados na compra de imóveis fora do país.
O impacto financeiro pode ser relevante. Em uma remessa de R$ 2 milhões para aquisição de um imóvel no exterior, por exemplo, uma alíquota de 3,5% representa um custo de R$ 70 mil apenas em IOF. O valor não inclui spread cambial, tarifas bancárias e custos de intermediação normalmente cobrados em operações internacionais.
“O que estamos observando não é um aumento do simples interesse por criptomoedas, mas uma busca por eficiência nas remessas internacionais. As stablecoins estão ganhando espaço justamente por serem uma alternativa de economia para empresários e investidores”, diz Iago Orben, especialista em câmbio da Wiser Investimentos.
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As stablecoins funcionam como ativos digitais lastreados em moedas fortes, normalmente o dólar americano. Em vez de utilizar a infraestrutura bancária tradicional, a transferência ocorre por meio de redes blockchain, permitindo a movimentação de recursos entre diferentes países com menos intermediários.
A diferença não está apenas na velocidade da operação. Enquanto uma remessa internacional tradicional é caracterizada como operação de câmbio, as stablecoins são tratadas como ativos digitais. Dependendo da estrutura utilizada, isso pode resultar em uma carga tributária diferente da observada nos mecanismos convencionais de envio de recursos ao exterior.
Uso de stablecoins para quem compra imóveis no exterior
O interesse cresceu especialmente entre brasileiros que compram imóveis nos Estados Unidos, Portugal e Reino Unido. Em operações de maior valor, a economia potencial pode representar dezenas de milhares de reais.
Empresas também passaram a avaliar esse modelo para pagamentos a fornecedores internacionais e outras movimentações frequentes de recursos entre países.
O avanço da demanda impulsionou o surgimento de plataformas especializadas nesse tipo de operação. Entre elas está o MB Connect, solução do Mercado Bitcoin voltada para clientes que desejam movimentar recursos entre Brasil e exterior utilizando infraestrutura blockchain, com validação de identidade, análise da origem dos recursos e acompanhamento operacional.
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Especialistas ressaltam que o uso de stablecoins não elimina obrigações fiscais nem dispensa a declaração de patrimônio e movimentações financeiras exigidas pela legislação brasileira. A recomendação é que operações internacionais sejam realizadas com orientação especializada e observando as exigências regulatórias aplicáveis.
O crescimento dessas estruturas mostra que as stablecoins estão deixando de ser apenas uma ferramenta do mercado cripto para ocupar espaço cada vez maior nas finanças internacionais. Para muitos brasileiros, a discussão já não gira em torno da tecnologia utilizada, mas da possibilidade de reduzir custos em operações que, até pouco tempo atrás, dependiam exclusivamente do sistema bancário tradicional.
Conteúdo produzido por Monitor Conexões em parceria com Wiser Investimentos.











