Uma estrutura que mais parece um barco de pesquisa, mas carrega duas hélices gigantes submersas, está ancorada nas águas agitadas de Orkney, na Escócia. É a turbina maremotriz Orbital O2, a maior do mundo em seu tipo, que aproveita as correntes de maré para gerar eletricidade sem precisar de barragens ou represas.
O que é a Orbital O2 e como ela funciona?
A Orbital O2 é uma plataforma flutuante de 72 metros de comprimento equipada com duas hélices de 20 metros de diâmetro cada uma, capazes de gerar até 2 megawatts de potência elétrica. Construída pela empresa escocesa Orbital Marine Power, a estrutura é ancorada por cabos de aço em pontos fixos do fundo do mar, mas gira livremente para se alinhar com o sentido da corrente de maré, que muda quatro vezes por dia com a subida e descida das águas.
As pás das hélices capturam a energia cinética da água em movimento, que é muito mais densa que o ar, e acionam geradores elétricos alojados dentro das naceles, estruturas que abrigam os geradores e sistemas mecânicos.

Quais os pilares que fazem a energia maremotriz previsível e vantajosa?
Diferente do vento e do sol, as marés são governadas pela dança gravitacional entre Terra, Lua e Sol, o que as torna previsíveis com décadas de antecedência. A Orbital O2 explora essa regularidade com um design que facilita a manutenção e reduz o impacto ambiental, já que tudo fica na superfície, acessível sem mergulhadores.
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Os três pilares que sustentam essa tecnologia são:
Quais as vantagens da energia das marés sobre outras fontes oceânicas?
A energia maremotriz extraída de correntes é diferente daquela gerada por grandes barragens que aprisionam água durante a maré alta, um método caro e com impacto ambiental. A abordagem da turbina maremotriz Orbital O2 usa apenas o fluxo natural da água, sem alterar a paisagem costeira, o que reduz os conflitos com comunidades e pescadores.
Os diferenciais que colocam a Orbital O2 em destaque no setor de renováveis oceânicas são:
- A densidade da água permite capturar energia com hélices muito menores que as turbinas eólicas
- A geração ocorre em ciclos de maré, mas a alternância entre as duas hélices suaviza a produção
- A vida útil dos equipamentos é estimada em 20 anos com manutenção regular
- O custo de operação tende a cair com a fabricação em série das plataformas
- A Escócia possui correntes fortes e constantes, ideais para a replicação da tecnologia

A turbina maremotriz Orbital O2 pode ser replicada em outros mares?
O potencial das correntes de maré está concentrado em poucas regiões do planeta, onde a geografia costeira acelera o fluxo da água. Além das ilhas britânicas, locais como o Canal da Mancha, a costa da Coreia do Sul e partes do litoral canadense oferecem condições semelhantes às de Orkney.
No Brasil, a energia das marés ainda é pouco explorada, mas o litoral norte, especialmente na região da foz do Amazonas e nos estuários maranhenses, apresenta correntes significativas que poderiam ser avaliadas com tecnologias flutuantes como a Orbital O2. O desafio está no custo de instalação e na resistência dos materiais à corrosão em águas tropicais, bem mais agressivas que as frias águas escocesas.
Como a turbina maremotriz se compara a outras fontes de energia limpa?
A energia das marés ocupa uma posição única entre as renováveis: não é tão barata quanto a solar, mas é muito mais previsível e não ocupa terrenos produtivos. A tabela abaixo mostra como ela se posiciona diante das alternativas mais conhecidas.
Um comparativo entre fontes renováveis ajuda a entender o papel da maremotriz no futuro:
| Fonte de energia | Previsibilidade | Impacto visual e ambiental | Status para larga escala |
|---|---|---|---|
| Turbina maremotriz Orbital O2 e similares | Muito alta | Baixo impacto visual e ecológico | Início de escala comercial |
| Eólica offshore Torres fixas ou flutuantes | Média a baixa | Visível do litoral e com impacto em aves | Escala comercial madura |
| Solar fotovoltaica Parques terrestres | Média a baixa | Ocupa grandes áreas de terreno | Escala comercial madura |
A Orbital O2 aponta o caminho para a energia maremotriz de corrente livre?
O aproveitamento das marés sem barragens sempre foi considerado tecnicamente desafiador e caro demais, mas a Orbital O2 está mostrando que o custo pode ser competitivo quando a engenharia é pensada para facilitar a manutenção e a produção em série. A plataforma escocesa já gerou mais de 20 GWh de eletricidade limpa desde sua instalação, o suficiente para abastecer milhares de residências em Orkney.
O sucesso do projeto está atraindo investimentos para uma nova geração de turbinas flutuantes, que poderão ser ancoradas em fazendas de maré e conectadas a eletrolisadores para produzir hidrogênio verde nos momentos de pico de geração. A Escócia, que já lidera a transição eólica offshore, agora prova que as correntes que banham suas ilhas são um recurso energético tão valioso quanto o petróleo que extraiu do Mar do Norte por décadas.











