A atividade de serviços surpreendeu ao crescer 3,1% em dezembro ante novembro, em termos dessazonalizados, e 6,0% ante dezembro de 2021. Com o resultado, o indicador acumulou variação de 1,0% no 4T22 após 3,0% no 3T22 (dados dessazonalizados) e, assim, acumulou alta de 8,3% em 2022. Considerando maior horizonte temporal, a atividade do setor registra elevado grau de aquecimento, situando-se em patamar 14,4% acima do nível pré-pandemia (fev/20) e atualmente no maior nível da série histórica, iniciada em 2011. Os resultados mensais ficaram bem acima do estimado pela Tendências (1,2% MoMSa e 5,3% YoY) e pela mediana de mercado da Agência Estado (1,1% MoMSa e 4,0% YoY). A avaliação é da Tendências Consultoria.
“Sobre a surpresa no mês, primeiramente, o desvio em relação à projeção não é tão grande em termos anuais (6,0% realizado ante 5,3% esperado), o que reduz a margem para revisões na expectativa do PIB de Serviços no 4T22, inclusive, considerando a queda expressiva do comércio em dezembro. Adicionalmente, os fortes resultados na série dessazonalizada reforçam a hipótese de um efeito positivo gerado pelas férias e confraternizações no final de 2022 e início de 2023 em intensidade superior à dos dois anos anteriores, quando a pandemia afetou a rotina de trabalho presencial e atividades escolares, desconcentrando as viagens do final de ano, além da menor propensão das famílias para viajarem. A alta de 7,6% de transportes aéreos é um sinal desse efeito sazonal diferenciado”, explica, em relatório.
Segundo a Tendências, a tendência é de redução da atividade da PMS total, embora com heterogeneidade entre os segmentos. Espera-se menor dinamismo de grupamentos de Serviços de Informação e Profissionais, em especial, aqueles ligados a investimentos em tecnologia e contratação de pessoal. Tais segmentos devem ser afetados negativamente pelo esgotamento do impulso da pandemia sobre investimentos em TI, pelas piores condições financeiras e por desaceleração do mercado de trabalho.
O grupo de Transportes, especialmente terrestre de cargas, também deve perder dinamismo. O cenário menos favorável ao consumo de bens (inflação ainda elevada, piora das condições financeiras que limitam concessões de crédito, inadimplência elevada e desaceleração da massa do trabalho) deve afetar negativamente a demanda por frete de comércio e indústria. Adicionalmente, a projeção é de elevação dos preços de combustíveis. Por outro lado, o prognóstico positivo para a safra de grãos, em especial no 1T23, deve atenuar a redução dos fretes. Para Serviços às famílias, espera-se alta moderada, captando, em especial, o final dos benefícios gerado pela recuperação tardia de serviços presenciais. O grupo é o único que se encontra abaixo do nível pré-pandemia (-4,3% frente a fev/20). Além disso, do ponto de vista de classes, o fluxo de renda e a poupança disponível contribuem com a projeção positiva.
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Voltando a dezembro, a expansão foi disseminada, em termos dessazonalizados. A maior taxa ocorreu em Outros (10,3%), seguido por Profissionais (3,0%), Transportes (2,5%) e Serviços às famílias (2,4%). Na direção oposta, Serviços de informação recuou no mês (2,2%).
Em 2022, a alta de 8,3% da PMS total foi resultado da expansão de 63% de todas os serviços pesquisados. Por grupos, as maiores contribuições foram de Transportes (13,3%), Profissionais (7,7%), Prestados às famílias (24,0%). Em contrapartida, Outros serviços recuou (2,1%).
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Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil












