O setor público consolidado do Brasil — que inclui governo federal, estados, municípios e estatais —, registrou um déficit primário de R$ 7,3 bilhões em setembro. Em comparação ao mesmo período de 2023, o déficit diminuiu, já que no mesmo mês do ano passado havia alcançado R$ 18,1 bilhões.
O déficit primário refere-se ao saldo entre receitas e despesas do governo, excluindo os juros da dívida. Ele se divide entre os déficits do Governo Central (R$ 4 bilhões), governos regionais (R$ 3,2 bilhões) e empresas estatais (R$ 192 milhões).
Dívida líquida do setor público e dívidas do Governo Geral
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), que representa o total das obrigações financeiras do governo menos seus ativos, atingiu 62,4% do PIB (R$ 7,1 trilhões) em setembro, apresentando aumento de 0,4 ponto percentual em relação ao mês anterior.
Essa elevação é resultado, principalmente, da valorização cambial de 3,7% no período, além da apropriação dos juros nominais, variação do PIB nominal e ajustes de dívida externa líquida.
Já a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que inclui as obrigações financeiras do Governo Federal, INSS e dos governos estaduais e municipais, ficou em 78,3% do PIB (R$ 8,9 trilhões). Esta dívida apresentou uma leve redução de 0,2 ponto percentual em relação a agosto, refletindo, em parte, a variação do PIB nominal e a valorização do câmbio.
Juros nominais e resultado nominal do setor público
Os juros nominais, que representam os custos das dívidas do setor público, somaram R$ 46,4 bilhões em setembro, um valor abaixo dos R$ 81,7 bilhões registrados no mesmo período de 2023.
Essa queda se deve principalmente ao impacto positivo de operações de swap cambial — uma ferramenta usada para proteger a dívida contra variações de câmbio. Em setembro de 2023, essas operações resultaram em uma perda de R$ 15,9 bilhões, enquanto em setembro deste ano, apresentaram um ganho de R$ 20 bilhões.
O resultado nominal do setor público, que inclui o déficit primário e os juros nominais, foi deficitário em R$ 53,8 bilhões em setembro. No acumulado dos últimos doze meses, o déficit nominal atingiu R$ 1,065 trilhões, representando 9,34% do PIB.
No cenário anual, os resultados refletem um esforço contínuo para reduzir déficits e manter o equilíbrio fiscal. Embora a dívida continue alta, a administração pública compensará através do aumento do PIB nominal e ajustes no setor cambial. O controle de déficits e da dívida é crucial para o Brasil manter sua saúde financeira e atraia investimentos a longo prazo.











