O Carrefour Brasil enfrenta um boicote dos frigoríficos após Alexandre Bompard, presidente mundial da empresa, falar que as carnes do Mercosul não seriam mais comercializadas na Europa. A acusação é de que na América do Sul, os produtores não seguem os padrões de excelência.
Em um primeiro momento, Bompard anunciou a suspensão das vendas de carnes em toda Europa. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, chamou a atitude de “ação orquestrada” para “ferir a soberania” da produção nacional.
Com todo o barulho que as declarações causaram, a rede de supermercados teve que se explicar e, após enrolar, disse que a restrição seria apenas nas lojas francesas. A polêmica, no entanto, fez a JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3) e Masterboi — e agora, também a Minerva (BEEF3) — virarem a cara para o Carrefour, deixando de abastecer 150 lojas no Brasil, incluindo as bandeiras Atacadão e Sam’s Club.
O assunto, inclusive, foi tema da última coluna de Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor do Mercado, na Folha de S. Paulo.
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Boicote cortará 5% das vendas do Carrefour
Apesar de abrir a sessão caindo quase 5%, as ações CRFB3 sobem 3,31%, a R$ 6,86, às 17h30 desta segunda-feira (25). Isso porque alguns bancos recomendaram compra para as ações como Goldman Sachs e Bradesco BBI. Ambos estabeleceram um preço-alvo de R$ 12,50.
Mas nem tudo são flores nas visões dos bancos. O boicote de carnes bovinas cortará cerca de 4% a 5% das vendas totais do Carrefour Brasil (CRFB3) e afetará o tráfego de clientes nas lojas, segundo o Bradesco BBI. Mesmo sendo cedo para avaliar, efeitos negativos devem ser vistos no próximo balanço da varejista.
Segundo os analistas do Goldman Sachs, cada dia de interrupção no fornecimento de carnes bovinas nas lojas pode fazer o lucro líquido do quarto trimestre cair entre 0,54% e 1,09%.
O BTG Pactual é o que manteve uma visão mais cru, dizendo que a rede Atacadão, que representa 70% das vendas do Carrefour Brasil, também deve ser afetada. A recomendação do banco é neutra.
Além disso, a inflação alimentar, que vinha impulsionando as vendas no quarto trimestre, pode ter seu efeito positivo limitado pelas interrupções de fornecimento.
Retaliação estratégica dos frigoríficos
Por outro lado, a expectativa é de que os frigoríficos não devem sofrer com a restrição. A Genial Investimentos destacou que o boicote reflete o poder de barganha dos frigoríficos, especialmente pela baixa dependência da França, responsável por apenas 1% das exportações de carne brasileira.











