Com a proximidade do final de ano, e a divulgação dos últimos dados relevantes sobre a economia brasileira, é possível traçar um panorama completo sobre os dois primeiros anos do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, na presidência da República. A consultoria Elos Ayta, analisou o período e comparou com os nove últimos mandatos presidenciais, desde Fernando Henrique Cardoso.
O estudo observou quatro indicadores econômicos principais, entre eles, o Ibovespa, dólar Ptax (referência para a moeda norte-americana), o CDI e a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Confira os destaques:
Inflação sob controle, mas com tendência de alta
A inflação, medida pelo IPCA, ficou em 9,11% nos dois primeiros anos de Lula 3, abaixo dos picos de Dilma 2, de 17,63%, mas acima dos governos Temer, quando ficou em 6,75% e quase empatando com o governo Bolsonaro, que registrou 9,02%.

O número sugere um controle relativo da inflação, mas indica desafios em conter novas pressões inflacionárias, principalmente diante de um cenário global incerto.
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Ibovespa desacelera após boom das commodities
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, acumulou alta de 11,35% nos dois primeiros anos do governo Lula 3 — até o pregão desta quinta-feira (26). Esse desempenho foi o terceiro pior entre os nove mandatos analisados, superando apenas os segundos mandatos de Lula e Dilma, que registraram queda de 15,57% e 12,05%, respectivamente.

No topo do ranking, o primeiro governo de Lula (2003-2006) apresentou a maior valorização do Ibovespa, com alta de 132,48%, impulsionada pelo boom das commodities e a confiança do mercado. Esse contraste ressalta como fatores externos, como a valorização global de produtos exportados, afetam diretamente o mercado financeiro.
Dólar Ptax registra alta moderada durante Lula 3
O dólar Ptax, referência oficial do câmbio, subiu 18,86% até dezembro de 2024 sob Lula 3. Esse foi o terceiro menor aumento desde FHC 1, superado pela desvalorização de 24,87% no primeiro mandato de Lula, quando a entrada de capital estrangeiro impulsionou o real.
Por outro lado, Dilma 2 registrou alta de 22,70%, reflexo da crise fiscal e desconfiança dos mercados.


CDI aponta recuperação da renda fixa durante Lula 3
O CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que reflete os retornos na renda fixa, subiu 25,42% nos dois primeiros anos do governo atual. Esse valor supera os governos Bolsonaro (8,88%) e Temer (19,70%), mas ainda fica atrás do segundo mandato de Dilma (29,09%).
A alta do CDI reflete o aumento da taxa Selic para conter a inflação, que após iniciar uma trajetória de queda, voltou a subir, encerrando o ano em 12,25%.
O estudo da Elos Ayta reforça que os primeiros dois anos de um mandato presidencial são um reflexo direto das políticas econômicas adotadas, das condições herdadas e do cenário global.
No governo Lula 3, enquanto o CDI apresenta retornos robustos, o Ibovespa e a valorização do dólar apontam para desafios persistentes em um ambiente econômico marcado por incertezas.











