A produção industrial brasileira caiu 0,6% em novembro na comparação com outubro, marcando o segundo mês consecutivo de retração da indústria, segundo a Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física (PIM-PF) divulgada nesta quarta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A indústria está 1,8% acima do nível pré-pandemia, em fevereiro de 2020. O resultado ficou próximo à mediana das projeções do mercado financeiro, que indicava recuo de 0,7%. As estimativas variavam entre queda de 1,2% e alta de 0,1%.
Na comparação anual, com novembro de 2023, houve alta de 1,7%, enquanto no acumulado de 2024, a produção cresceu 3,2%, e em 12 meses o crescimento foi de 3%. Apesar dos resultados positivos, o setor permanece 15,1% abaixo do nível recorde registrado em maio de 2011.
Quedas generalizadas nas categorias de bens
Todas as quatro grandes categorias industriais pesquisadas apresentaram queda na produção em novembro:
- Bens de capital: Recuaram 1,7% na comparação mensal, mas registraram alta de 14% frente ao mesmo mês de 2023.
- Bens intermediários: Apresentaram queda de 0,7% em relação a outubro e alta de 1,6% na base anual.
- Bens duráveis: Recuaram 2,1% em novembro, devolvendo parte da alta registrada em outubro (4,4%). Em relação ao ano anterior, houve alta de 19,5%.
- Bens semi e não duráveis: Tiveram queda de 2,8% na margem e retração de 2,7% na comparação anual.
A queda na produção foi observada em 19 dos 25 setores analisados. Destaque para veículos automotores (-11,5%) e produtos derivados de petróleo e biocombustíveis (-3,5%).
Setores em destaque
Entre os segmentos que mais contribuíram negativamente para o desempenho da indústria em novembro estão:
- Veículos automotores: Com queda de 11,5%, após dois meses de alta acumulada de 12,7%.
- Produtos alimentícios: Recuaram 1,2%, afetados pela alta recente nos preços dos alimentos.
- Produtos químicos e farmacêuticos: Caíram 2,1% e 5,4%, respectivamente.
Por outro lado, máquinas e equipamentos tiveram avanço de 2,3%, acumulando crescimento de 5,8% nos últimos dois meses.
Avaliações do mercado sobre a indústria brasileira
O economista-chefe do Banco Bmg, Flavio Serrano, destacou o impacto da alta nos preços dos alimentos sobre os bens de consumo semiduráveis e não duráveis, que recuaram 2,8% no mês. Ele também aponta que a retração em bens duráveis reflete parcialmente os efeitos de juros elevados.
Já Pedro Crispim, economista da G5 Partners, classificou o resultado como generalizado e ressaltou a queda em todas as categorias de uso. Para ele, ainda é cedo para afirmar que a indústria passa por um momento de inflexão, mas sinais de perda de dinamismo são evidentes.
Apesar das dificuldades, as expectativas para 2024 são otimistas. Segundo Crispim, o setor pode crescer 3% no próximo ano, impulsionado principalmente pela indústria de transformação.











