Diante das mudanças tecnológicas e as pressões regulatórias, os bancos enfrentam dificuldades para identificar e preparar novos CEOs para assumir o comando das instituições, segundo estudo da Russell Reynolds Associates.
E para Fernando Machado, sócio-diretor e líder da prática financeira da consultoria, “identificar e preparar esses talentos não é apenas uma questão de competitividade, mas de sobrevivência”.
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A pesquisa da Russell mostrou seis tendências globais que estão transformando o setor e redefinindo o que se espera de seus líderes mais sêniores. Entre elas, estão:
- Mudança geopolítica: a transição para um mundo mais fragmentado e multipolar — com os mercados emergentes mudando o equilíbrio de poder;
- Evolução tecnológica: a adoção crescente de inteligência artificial e novas ferramentas digitais no setor financeiro;
- Pressões externas: o aumento das exigências por transparência e responsabilidade, vindas de investidores ativistas e das redes sociais.
Como resposta, os novos CEOs precisarão desenvolver fortes habilidades comportamentais, como resiliência e capacidade de adaptação, além de conhecimento sobre gestão de capital, riscos e balanços.
Bancos precisam reforçar planejamento sucessório
O estudo revelou que apenas 46% das instituições bancárias adotam uma abordagem proativa no planejamento sucessório, indicando que muitas empresas nem sequer possuem estratégias para desenvolver futuros CEOs.
No entanto, dos líderes que participaram de programas de sucessão, três entre quatro (74%) consideram o suporte dado pelas organizações insuficiente para sua preparação.
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“Sem um planejamento de sucessão robusto e iniciativas proativas, muitas organizações correm o risco de enfrentar uma deficiência de liderança crítica nos próximos anos”, defende o sócio-diretor da consultoria.
Diferença no perfil dos CEOs
Analisando a diferença no perfil entre os antigos e os novos CEOs, a principal delas está na experiência no mercado. Hoje, dentro do C-level (posições de liderança) do setor bancário, 67% dos líderes têm experiência em apenas duas ou menos unidades de negócios.
Dos executivos analisados, somente 14% passaram por mais de três áreas ao longo de suas carreiras. O estudo mostra que essa falta de rotatividade reduz a formação de líderes generalistas, fundamentais para enfrentar desafios estratégicos e operacionais mais amplos. (Veja o gráfico abaixo)

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O cenário se agrava ainda mais com a consolidação do mercado bancário. Nos Estados Unidos, o número de bancos caiu pela metade, saindo de 8 mil em 2008 para 4 mil em 2024, aumentando a concorrência e a exigência em cargos de liderança.