O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) avançou 0,64% em março, desacelerando em relação à alta de 1,23% registrada em fevereiro, mas subindo para 5,26% em 12 meses, segundo as informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado divulgado nesta quinta-feira (27) para o indicador considerado a prévia da inflação veio abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que estimava um aumento de 0,68%. Este foi o maior avanço para o mês desde março de 2023.
Em março, todos os nove grupos analisados pelo IPCA-15 registraram alta na passagem mensal.
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Transportes e combustíveis pressionam IPCA-15
Os gastos com Transportes subiram 0,92% em março, acelerando em relação a fevereiro (0,44%). O grupo teve impacto de 0,19 ponto percentual na inflação do mês, com os combustíveis subindo 1,88%.
Os maiores aumentos foram registrados no óleo diesel (+2,77%), etanol (+2,17%) e gasolina (+1,83%), esta última representando o maior impacto individual no índice (+0,10 p.p.).
As passagens aéreas avançaram 7,02%, contribuindo com 0,05 ponto percentual para o IPCA-15. Já o transporte público foi influenciado por reajustes, como o aumento de 7,04% nas tarifas de trem no Rio de Janeiro e a alta de 14% nas passagens de ônibus intermunicipais em Porto Alegre.
Grupo de alimentação e bebidas segue em alta
O grupo Alimentação e bebidas subiu 1,09% em março, com impacto de 0,24 ponto percentual no índice geral. A alimentação no domicílio registrou avanço de 1,25%, com destaque para a alta nos preços do ovo de galinha (+19,44%), tomate (+12,57%), café moído (+8,53%) e frutas (+1,96%).
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Já a alimentação fora do domicílio aumentou 0,66%, puxada pela alta da refeição (+0,62%) e do lanche (+0,68%).
Habitação e despesas pessoais também influenciam o índice
O grupo Habitação subiu 0,37%, após um forte aumento de 4,34% em fevereiro. A energia elétrica residencial avançou 0,43%, enquanto o gás encanado recuou 0,51%, refletindo reduções tarifárias em cidades como Rio de Janeiro e Curitiba.
As despesas pessoais tiveram alta de 10,81%, impulsionadas pelo aumento de 7,42% nos preços de cinema, teatro e concertos, após o fim da campanha promocional de ingressos em fevereiro.
Impacto do IPCA-15 nos juros
O resultado do IPCA-15 foi recebido com certo alívio pelo mercado, já que ficou abaixo das expectativas e indicou uma estabilização na inflação de serviços subjacentes.
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Segundo cálculos do economista Maykon Douglas, a inflação de serviços subjacentes foi de 0,71% na margem, tirando os efeitos sazonais. Na média móvel trimestral ajustada, o índice manteve-se em 7,7%. Já a inflação subjacente de bens industriais acelerou de 5,8% para 6,1% nessa métrica.
Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, destacou que o núcleo de serviços, um dos principais focos do Banco Central, veio abaixo do esperado, influenciado por seguros de veículos e custos com habitação.
Segundo ele, isso pode trazer algum alívio para o BC, que vinha demonstrando preocupação com esse grupo.
Apesar do número abaixo do esperado, a inflação corrente segue pressionada, principalmente nos setores mais sensíveis às condições econômicas.