Os mercados financeiros abriram a semana em alta após o anúncio de um acordo entre EUA e China para suspender temporariamente a escalada na guerra comercial entre os dois países.
No centro do acordo está a decisão dos Estados Unidos de reduzir suas tarifas sobre produtos chineses de 145% para 30%. Em contrapartida, a China baixou suas tarifas de 125% para 10%.
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Esse alívio nas taxas será válido por 90 dias. Durante esse período, as duas nações deverão avaliar os efeitos econômicos da medida e discutir a possibilidade de torná-la permanente ou até ampliar a redução tarifária.
Além do avanço nas relações com a China, a semana foi marcada por outros sinais de distensão diplomática por parte dos Estados Unidos:
- Indicação de possível acordo nuclear com o Irã
- Cessar-fogo com os Houthis, com apoio do Irã
- Trégua no conflito entre Paquistão e Índia
- Anúncio de investimentos bilionários de países árabes nos EUA
Nesta sexta-feira (16), o Monitor do Mercado traz mais uma edição do quadro “Semana em 5 Minutos”, resumo semanal direto e sem enrolação assinado por Gil Carneiro. Confira:
“A paz não tem preço, tem valor” — Wilson Alberto
Brasil
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta semana, reiterou o cenário de incerteza no ambiente externo, agravado pelas tensões comerciais internacionais. O documento menciona a guerra tarifária liderada pelos EUA como fator de adversidade para economias emergentes como o Brasil.
Apesar disso, o Copom manteve seu cenário-base de desaceleração da atividade econômica, reflexo direto dos recentes aumentos na taxa Selic. Esse movimento, segundo o comitê, pode aliviar pressões sobre o mercado de trabalho e ajudar no controle da inflação.
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No entanto, as expectativas inflacionárias seguem desancoradas — ou seja, distantes da meta estipulada pelo Banco Central —, o que gera preocupação entre os formuladores de política monetária.
O mercado financeiro aposta que o ciclo de elevação da Selic está próximo do fim. A taxa básica de juros está em 14,75% ao ano e pode subir para 15% na próxima reunião, com um ajuste simbólico de 0,25 ponto percentual. A expectativa predominante é de que esse seja o último aumento deste ciclo.
Outro ponto de atenção para os investidores foi a circulação de rumores sobre um pacote de medidas de cunho populista planejado pelo governo federal, segundo reportagem da revista Veja.
As propostas incluiriam o aumento do valor do Bolsa Família, ampliação do vale-gás, novas linhas de crédito para microempreendedores e isenção da conta de luz para inscritos no CadÚnico.
Essas medidas, se implementadas em 2025, ano pré-eleitoral, podem elevar significativamente o déficit fiscal brasileiro. Analistas alertam que um desequilíbrio maior nas contas públicas exigirá reformas estruturais a partir de 2027.
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A possibilidade de saída do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no início de 2026 para disputar eleições estaduais, alimenta especulações sobre um eventual abandono do compromisso com a responsabilidade fiscal por parte de seu sucessor.
Estados Unidos
Os dados de inflação divulgados nos EUA surpreenderam positivamente o mercado. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de abril subiu 0,2%, abaixo da expectativa de 0,3%. No acumulado de 12 meses, a inflação recuou de 2,4% para 2,3%.
O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, também registrou alta de 0,2%, sinalizando desaceleração. No mesmo período, o Índice de Preços ao Produtor (PPI) apresentou deflação de -0,5%, enquanto seu núcleo caiu -0,1%.
Esses números reforçam as expectativas de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, possa iniciar um ciclo de corte de juros ainda em 2025. No entanto, os dirigentes seguem cautelosos, aguardando o impacto das novas tarifas sobre os dados de inflação nos próximos meses.
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Outro ponto que chamou atenção foi o déficit orçamentário federal dos Estados Unidos, que atingiu o maior patamar nominal fora de períodos de recessão. A situação é atribuída à política de cortes de impostos implementada na gestão Trump, sem a devida compensação por meio de cortes de gastos.
O elevado desequilíbrio fiscal pode pressionar a credibilidade do governo americano, afetar os rendimentos dos títulos do Tesouro (treasuries) e influenciar negativamente o desempenho da economia dos EUA.
China
Na China, o volume de novos empréstimos bancários caiu drasticamente em abril. O total passou de 3,6 trilhões de yuans em março para apenas 280 bilhões de yuans — o menor valor registrado em 20 anos.
O mercado esperava um número próximo de 710 bilhões de yuans. A forte queda sinaliza cautela crescente por parte de empresas e consumidores diante da instabilidade gerada pelo ambiente internacional, incluindo o aumento de tarifas comerciais.












