O Conselho da Justiça Federal (CJF) tem adotado novas estratégias para lidar com a litigância em massa no Brasil, focando em questões como a correção monetária do FGTS e problemas de construção no programa Minha Casa, Minha Vida – Faixa 1. Essas ações foram desenvolvidas em colaboração com a Corregedoria-Geral da Justiça Federal e um grupo de trabalho interinstitucional, com o objetivo de tornar o sistema judiciário mais eficiente.
Essas medidas visam implementar um tratamento sistemático e preventivo para demandas repetitivas que sobrecarregam o Judiciário. As ações incluem a padronização de procedimentos, o incentivo à conciliação e o uso de dados técnicos para uma análise mais eficaz dos casos. O objetivo é não apenas aliviar o sistema, mas também garantir justiça e rapidez nos processos.
Quais iniciativas foram propostas para o FGTS?

Após a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a ADIn 5.090, que impactou a correção do FGTS, o CJF propôs a criação de Centrais de Auxílio e Processamento (CAPFGTS). Essas centrais visam tratar as ações de forma concentrada e eficiente, utilizando automação de processos e padronização de contestações. A iniciativa se inspira em um projeto bem-sucedido do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
Essas medidas buscam uniformizar os procedimentos e reduzir o acúmulo de processos relacionados ao FGTS. A colaboração com a Caixa Econômica Federal é essencial para garantir eficiência e equidade na análise dos casos, respeitando a autonomia dos tribunais regionais.
Como são abordados os vícios de construção?
Para lidar com os vícios de construção em imóveis do Minha Casa, Minha Vida, o CJF propôs a padronização de quesitos periciais e o encaminhamento dos casos a unidades especializadas. Isso inclui a utilização de Núcleos de Justiça 4.0, que conduzem os processos por meio de fluxos estruturados, contemplando etapas de conciliação e perícia por amostragem.
O objetivo é garantir um tratamento justo e uniforme para demandas semelhantes, evitando decisões divergentes. A racionalização da prova pericial e a criação de um modelo unificado de laudo são medidas que visam a eficiência e a redução de custos, além de assegurar que os processos de um mesmo empreendimento sejam tratados coletivamente.
Resoluções versus recomendações: Qual a diferença?
As resoluções e recomendações do CJF possuem naturezas distintas. As resoluções, quando aprovadas, têm caráter vinculante e devem ser seguidas por tribunais e magistrados federais. Elas visam padronizar procedimentos e regulamentar práticas judiciais e administrativas.
Por outro lado, as recomendações são orientativas e não obrigatórias. Elas servem como guias para boas práticas e incentivam a uniformização institucional. Embora sua adoção seja facultativa, elas são respaldadas pela autoridade da Corregedoria-Geral da Justiça Federal e pela importância dos temas abordados.
Recomendações adicionais para magistrados
O CJF também emitiu recomendações adicionais para que magistrados e corregedorias regionais considerem a atuação prévia do Programa De Olho na Qualidade (POQ) ao avaliar o interesse de agir nas ações. Além disso, sugere-se a priorização de peritos capacitados por cursos do Centro de Estudos Judiciários (CEJ).
Essas recomendações destacam a importância de considerar o caráter social das políticas habitacionais ao analisar pedidos de cessão de crédito em ações de indenização. O objetivo é garantir que as decisões judiciais sejam fundamentadas em critérios técnicos e sociais adequados, promovendo justiça e eficiência no sistema.











