O dólar comercial fechou em alta de 0,61%, cotado a R$ 5,2670. A moeda refletiu não apenas as incertezas fiscais domésticas, mas também o índice de confiança do consumidor, nos Estados Unidos, que registrou 98,7 em junho ante previsão de 100,1, aumentando o temor por uma recessão.
Segundo o analista da Ouro Preto Investimentos, Bruno Komura, “o dólar ganha lá fora com a piora do índice de confiança. O receio com a recessão é cada vez maior”.
Komura também entende que os problemas fiscais internos preocupam: “Isso só confirma que o congresso tem apetite para gastar mais. O aumento do Auxílio Brasil e o vale-gás contribuem com a inflação, e a população vai sentir isso mais para a frente”, avalia.
De acordo com o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, “é um dia de melhora dentro de uma tendência de piora. A dúvida é saber qual o tamanho da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Combustíveis. O dólar ainda deve subir, o movimento que o risco país está fazendo está colado ao câmbio”.
Para a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, “é inegável a importância da China para o Brasil, já que ela é nosso principal parceiro comercial. Isso dá um respaldo para as commodities, ao menos em curto prazo”.
Abdelmalack, porém, chama a atenção para a questão fiscal deflagrada novamente pela PEC dos Combustíveis: “Isso acaba sendo visto pelo mercado como uma política assistencialista visando as eleições. Tudo que é fora do teto de gastos gera uma preocupação para o investidor pois indica se somos responsáveis ou não”, contextualiza.

Paulo Holland / Agência CMA
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