O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (21) em entrevista à rádio CBN, que o governo brasileiro chegou a discutir com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, uma tarifa de 10% sobre produtos brasileiros.
Segundo Haddad, havia disposição ao diálogo por parte dos americanos, mas ainda não há resposta formal às tratativas. “Chegar ao dia 1º sem resposta é um cenário que não podemos desconsiderar, mas ele não é o único”, afirmou.
O ministro lembrou que, apesar das idas e vindas da política americana, o Brasil já realizou mais de dez reuniões com autoridades dos EUA neste ano.
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Medidas de apoio aos setores afetados
Haddad também revelou que o governo está trabalhando para apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as alternativas existentes para as tarifas e um plano de contingência para amparar os setores mais prejudicados pela tarifa, que entra em vigor no dia 1º de agosto.
As ações não necessariamente envolverão aumento de gasto primário, mas podem incluir linhas de crédito e incentivos fiscais.
Entre os produtos afetados, estão os pescados e outros itens de maior relevância para a balança comercial brasileira. O ministro afirmou que “não há razão econômica” para a imposição da tarifa e reiterou que “o Brasil não prejudica a economia dos EUA em nada”.
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Brasil não vai retaliar
Mesmo diante da pressão externa, Haddad garantiu que o Brasil não adotará medidas retaliatórias contra empresas ou cidadãos norte-americanos. “Não pagaremos na mesma moeda. Empresas e cidadãos americanos serão tratados com dignidade”, disse.
O ministro também descartou a adoção de restrições a dividendos como resposta política e ressaltou que as comunicações com os EUA estão sendo feitas por canais diplomáticos e institucionais, “não pelo Twitter”.
Haddad também defendeu o sistema Pix, criado pelo Banco Central do Brasil, após ele ter sido incluído em uma investigação norte-americana sobre práticas comerciais brasileiras. “Reclamar do Pix é como defender telefone fixo em vez de celular”, afirmou. Para ele, considerar o Pix uma ameaça aos EUA “não tem racionalidade”.
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Tarifa pode afetar economia dos EUA
Haddad alertou ainda para os impactos da medida também sobre a economia americana. Segundo ele, 45% dos componentes utilizados pela Embraer (EMBR3) vêm dos EUA, e a suspensão de embarques já afeta também o lado norte-americano. “Há prejuízos para os dois lados”, destacou.
O Brasil sancionou na última segunda-feira (14), a chamada Lei da Reciprocidade Econômica, que permite suspender concessões comerciais em resposta a medidas unilaterais.
A norma, aprovada pelo Congresso, pode ser usada como base para uma eventual resposta mais dura, mas Haddad afirmou que o governo segue priorizando o diálogo.











