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Qual é o impacto do cartão nas suas compras que você não vê?

Paulo Por Paulo
10/ago/2025
Em Economia, Notícias
Aviso importante para quem utiliza o modo de aproximação do cartão

Atuação especializada em segurança financeira protege bancos e oferece salários de até R$ 18 mil - Créditos: depositphotos.com / tonodiaz

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Você chega ao caixa do supermercado, o valor total aparece na tela e você, quase sem pensar, aproxima o cartão. É um gesto rápido, prático, seguro e automático.

Mas é exatamente essa praticidade que esconde um impacto invisível e poderoso nas suas finanças. Ela te desconecta do ato de gastar.

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Imagine por um momento que você tivesse que pagar essa mesma conta em dinheiro vivo, nota por nota. Você compraria as mesmas coisas? Provavelmente não. Este artigo explora como o método de pagamento molda suas decisões e te faz gastar mais sem perceber.

O que é a “dor de pagar” e por que o cartão a anestesia?

Qual o impacto do cartão nas suas compras que você não vê?
Pagamento com cartão – Créditos: depositphotos.com / HayDmitriy

A “dor de pagar” é um conceito da economia comportamental. Ele descreve o desconforto psicológico real que sentimos ao entregar nosso dinheiro suado em uma transação.

Pagar com notas de dinheiro vivo torna essa perda física e visível. Você vê as notas saindo da sua carteira, que fica mais leve. Esse “atrito” te faz pensar duas vezes antes de cada gasto.

O cartão é abstrato. A transação vira apenas um bipe ou um deslize de plástico, sem dor. Ele funciona como uma anestesia para o seu cérebro financeiro.

Leia mais: Como cozinhar apenas 2x na semana pode te poupar dinheiro?

Como a falta de um limite físico nos faz perder o controle dos gastos?

Quando você sai de casa com R$ 200 em dinheiro na carteira, seu limite de gastos para aquele dia é físico, visível e absoluto.

Você consegue sentir o dinheiro diminuindo a cada compra. Quando ele acaba, a capacidade de gastar simplesmente para.

O limite do seu cartão de crédito, por outro lado, é alto, invisível e parece distante. Sem essa barreira física e imediata, é muito mais fácil perder a noção do total e estourar o orçamento.

Leia mais: O mais caro às vezes pode sair mais barato e você nem imaginava

O pagamento por aproximação é o maior vilão do gasto por impulso?

Sim, o pagamento por aproximação (contactless) pode ser considerado a evolução máxima do gasto sem atrito.

Ele elimina até mesmo a pequena barreira de inserir o cartão e digitar a senha, tornando o ato de pagar o mais rápido e impensado possível.

Essa facilidade extrema é um convite aberto para as compras por impulso. Ela remove o último momento de pausa e reflexão que existia no ato de pagar, facilitando a inclusão daquele chocolate de última hora.

Na prática, quanto a mais nós realmente gastamos com o cartão?

Diversos estudos de psicologia do consumo e economia comportamental chegam a conclusões muito parecidas ao redor do mundo.

As pessoas tendem a gastar, em média, de 15% a 30% a mais quando usam o cartão em vez de dinheiro vivo para fazer as mesmas compras.

Em um orçamento de supermercado de R$ 1.000 por mês, isso pode representar um gasto extra de até R$ 300, causado unicamente pela mudança no método de pagamento.

A solução é voltar a andar com um maço de dinheiro na carteira?

Não necessariamente. Em um mundo cada vez mais digital, e por questões de segurança, andar com grandes quantias de dinheiro pode ser impraticável e arriscado.

O objetivo não é abolir o cartão, mas sim recriar a consciência e o atrito que o pagamento em dinheiro nos impõe.

A solução está em usar a tecnologia a nosso favor, mas aplicando as regras e os limites do mundo físico.

Qual o “método do envelope digital” para simular o efeito do dinheiro vivo?

O “método do envelope” era uma técnica antiga de separar o dinheiro para cada despesa em envelopes físicos. Hoje, podemos recriá-lo digitalmente para controlar os gastos no cartão.

Siga estes passos para retomar o controle:

  • 1. Use uma conta ou cartão separado: Crie uma conta digital gratuita ou use um cartão pré-pago exclusivamente para o mercado. Transfira para lá apenas o valor exato do seu orçamento de compras do mês.
  • 2. Adote a regra da calculadora: Some cada item no seu celular à medida que o coloca no carrinho. Isso torna o gasto total visível e tangível novamente.
  • 3. Tenha uma lista e um teto de gastos: Nunca vá ao mercado sem uma lista de compras e um valor máximo que você pode gastar naquela visita.
  • 4. Faça o teste do dinheiro por um mês: Como um experimento, saque o valor do seu orçamento de mercado e pague tudo com notas. Observe a diferença no seu comportamento e no seu extrato. A experiência pode ser reveladora.
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