Um dos maiores movimentos financeiros da história brasileira já começou: a transferência de patrimônio entre gerações. Segundo o Global Wealth Report, publicado pelo UBS, cerca de US$ 9 trilhões (aproximadamente R$ 50 trilhões) devem mudar de mãos no Brasil nos próximos 25 anos.
Esse fenômeno, chamado de transição patrimonial geracional, acontece quando os detentores atuais da riqueza — em sua maioria da geração Baby Boomer — passam seus ativos para os filhos e netos. Globalmente, o valor da transferência será de US$ 83 trilhões no mesmo período.
O Brasil será o segundo país do mundo mais impactado por essa transição, atrás somente dos Estados Unidos. Na América Latina, lidera com folga.
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No novo episódio do podcast Ligando os Pontos, Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor do Mercado, analisa os dados, conversa com especialistas e mostra por que estamos diante do fim da era do mercado financeiro concentrado. Confira o vídeo na íntegra:
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O perfil do novo investidor
A transição ocorre em um momento em que o mercado financeiro precisa se adaptar a um público com novas demandas e comportamentos. As gerações mais jovens, como Millennials (geração Y) e Geração Z, têm perfis distintos:
- São digitais: utilizam múltiplos aplicativos de investimento e preferem autonomia.
- Buscam propósito: tomam decisões com base em conteúdos digitais e valores pessoais.
- Diversificam mais: investem em ativos como ETFs, REITs (fundos imobiliários globais), criptoativos e private equity.
- São menos leais a bancos: optam por diferentes plataformas, conforme a oportunidade.
A Geração X, por sua vez, funciona como um elo de transição, sendo mais aberta à diversificação do que os Boomers, mas menos digitalizada que os Millennials.
Um dos grupos que mais crescem é o dos “Everyday Millionaires” — pessoas com patrimônio entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões.
Segundo o UBS, já existem 52 milhões de pessoas nesse grupo no mundo, número quatro vezes maior que o registrado no ano 2000. O Brasil conta com 433 mil milionários em dólares, o maior contingente da América Latina.
Esse grupo não é composto apenas por herdeiros, mas por investidores ativos que priorizam acesso global, autonomia e tecnologia.
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Desafio para bancos e corretoras
Com esse novo cenário, bancos, corretoras e gestoras precisam repensar suas estratégias. O modelo tradicional de atrair o cliente para uma única instituição está ameaçado.
A tendência é que os investidores montem carteiras em diversas plataformas, sem compromisso de exclusividade. Segundo Daniel Haddad, CIO da Avenue — corretora especializada em investimentos no exterior —, o investidor do futuro não aceitará barreiras nem burocracia.
A Avenue vem se preparando para esse cenário que eles chamam de “diáspora patrimonial brasileira”, com crescimento acelerado da demanda por ativos no exterior.
A desigualdade ainda é um obstáculo
Apesar dos grandes números, a desigualdade de patrimônio segue sendo um desafio no Brasil. O índice de Gini patrimonial do país, medido pelo UBS, é de 0,82, o mais alto entre os 56 países analisados. Esse índice mede a concentração de riqueza — quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade.
Enquanto a média patrimonial é elevada, a mediana revela que metade da população está distante dos valores milionários.
Oportunidade de democratização
Mesmo com esse cenário desigual, existe uma oportunidade para democratizar o acesso ao mercado financeiro. Três pilares sustentam essa mudança: tecnologia, educação financeira e plataformas alternativas.
A nova geração já nasceu digital e está mais propensa a investir no exterior, muitas vezes a partir do próprio celular. As mulheres, que tendem a viver mais, devem liderar boa parte da transferência de patrimônio, segundo o relatório do UBS.
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O risco de ficar para trás
Segundo Vasconcellos, para bancos e instituições financeiras, o risco não é mais perder o cliente para o concorrente, mas ver o patrimônio sair do país ou migrar para plataformas estrangeiras.
A janela de oportunidade está aberta para atrair perfis mais exigentes, digitais e diversificados. Instituições que não se adaptarem rapidamente poderão se tornar irrelevantes.











