A semana começou com uma boa notícia: a reabertura do canal de comunicação entre Trump e Lula, iniciativa partindo do presidente norte-americano. Lula, entretanto, não demonstrou interesse e manteve suas críticas aos EUA, chegando a conclamar outros países do BRICS a apresentarem uma resposta conjunta à guerra comercial.
A tarifa de 50% entrou em vigor, conforme prometido, mas não provocou impacto no mercado local, que teve desempenho positivo, impulsionado, em grande parte, pela expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Nos Estados Unidos, a semana anterior havia terminado com os dados do payroll (relatório de emprego) apontando desaceleração no mercado de trabalho, sinal interpretado de forma positiva, por indicar que o Fed poderia ter margem para iniciar a redução das taxas de juros.
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A renúncia de uma das diretoras do Fed, Adriana Kugler, sob pressão de Trump, abriu espaço para que o presidente indicasse um novo membro.
Nesta sexta-feira (8), o Monitor do Mercado traz mais uma edição do quadro “Semana em 5 Minutos”, resumo semanal direto e sem enrolação assinado por Gil Carneiro.
“Com leis ruins, mas juízes bons, ainda é possível governar. Mas com juízes ruins, as melhores leis não servem para nada” — Otto von Bismarck.
Brasil: crise institucional e protestos no Congresso
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, por suposto descumprimento de medidas cautelares. A medida fortaleceu sua base de apoio político, que se mobilizou em protesto na volta do Congresso após o recesso.
A decisão de Moraes também gerou tensão interna no STF. Metade dos ministros da Corte se recusou a assinar uma carta em sua defesa após as sanções impostas por Donald Trump com base na Lei Magnitsky. O governo dos EUA já ameaça estender as punições à esposa de Moraes e a outros ministros considerados aliados.
Luís Roberto Barroso, presidente do STF, anunciou intenção de se aposentar antecipadamente. Segundo analistas, o movimento pode afastá-lo do foco das pressões externas.
No cenário macroeconômico, dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostraram que o Brasil criou 166 mil empregos com carteira assinada em junho.
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O saldo, resultado de 2,14 milhões de admissões e 1,97 milhão de desligamentos, representa uma queda de 19% na comparação com junho de 2024, quando foram geradas 206 mil vagas.
EUA: juros, tarifas e foco eleitoral
A possível mudança na política monetária dos EUA é um dos principais motores do mercado. A combinação de payroll mais fraco e aumento nos pedidos de seguro-desemprego indica desaquecimento da economia, aumentando a expectativa de que o Fed possa começar a cortar juros já em setembro.
Apesar de a inflação ainda estar acima da meta de 2%, a desaceleração do mercado de trabalho dá ao banco central americano mais flexibilidade. Para o Brasil, uma eventual queda nos juros dos EUA pode ampliar o diferencial entre as taxas, abrindo espaço para que o Banco Central brasileiro reduza a Selic.
No campo político, os EUA mantiveram a tarifa de 250% sobre medicamentos estrangeiros, como parte da estratégia de fortalecer a produção interna. A Índia foi alvo de nova tarifa de 50%, devido à continuidade na importação de petróleo da Rússia. A Casa Branca afirma que essas compras ajudam a financiar a guerra na Ucrânia.
O cessar-fogo imposto pelos EUA à Rússia expira nesta semana. Até o momento, o presidente Vladimir Putin não sinalizou que irá cumprir a exigência americana.
China: exportações crescem e trégua comercial pode continuar
A trégua tarifária entre China e Estados Unidos, que vence em 12 de agosto, deve ser prorrogada. A Casa Branca considera necessário manter o diálogo aberto para avançar nas negociações de um novo acordo comercial.
No campo econômico, a balança comercial chinesa trouxe dados positivos. As exportações subiram 7,2% em julho, na comparação anual, enquanto as importações cresceram 4,1%. O resultado foi impulsionado pelo fortalecimento do comércio com a União Europeia e economias emergentes.
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Mercados sobem com otimismo sobre juros
A semana terminou com desempenho positivo nos mercados globais, puxados pela expectativa de corte de juros nos Estados Unidos. Nos EUA, o índice S&P 500 fechou em alta, beneficiado tanto pelas perspectivas monetárias quanto pelos lucros corporativos acima do esperado.
No Brasil, o dólar caiu 2%, encerrando a R$ 5,42. Os juros futuros (DI para janeiro de 2027) recuaram 11 pontos-base, para 14,09%. O desempenho foi favorecido pelos balanços corporativos, que vieram melhores do que o esperado, e pelo cenário externo mais favorável.
Bolsas asiáticas e europeias também fecharam no positivo. O índice VIX, que mede a volatilidade dos mercados e é conhecido como “índice do medo”, caiu significativamente, sinalizando maior apetite ao risco por parte dos investidores.
Agenda da próxima semana
A atenção dos investidores se volta agora para novos indicadores econômicos:
- No Brasil, saem o IPCA (índice oficial de inflação) e os dados de vendas no varejo de julho;
- Nos Estados Unidos, o foco estará no CPI (índice de preços ao consumidor) e também nas vendas no varejo;
- No campo político, o mercado acompanha os desdobramentos no Congresso brasileiro e a continuidade da política tarifária americana.











