As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) fecharam em alta após a fala da presidente do Banco Central Europeu, Cristiane Lagarde, aumentando o tom quanto a inflação, e dados do varejo nos EUA.
Segundo Lagarde, o risco para inflação ascendente aumento, principalmente no curto prazo, o que aumenta também a possibilidade de uma subida agressiva na taxa de juros por lá.
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Nos EUA, as vendas no varejo subiram 0,5% em março em comparação com o mês anterior, já descontados os fatores sazonais, e somaram US$ 665,7 bilhões, segundo dados divulgados pelo Departamento do Comércio. Esse fator também pressiona o FED a apertar a política monetária.
De acordo com relatório da Capital Economics, o ajuste nos preços do varejo norte-americano, mesmo com inflação recorde (8,5% a.a.) explica por que os investidores reduziram as apostas nesta semana sobre até que ponto as taxas de juros subiriam.
“Ainda esperamos que o Fed entregue uma série de aumentos de 50 pb nas próximas três reuniões de política monetária”, disse. “Mas o fraco crescimento do PIB e uma queda no núcleo da inflação para mais perto de 4% devem persuadir o Fed a reverter para aumentos de 25pb a partir de setembro”, completou.
Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho, acredita que a pressão na nossa curva de juros é, portanto, uma combinação desses dois fatores na Europa e Estados Unidos. “Temos um aumento nas preocupações com o processo de normalização das políticas monetárias”, disse.
Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, por outro lado, criticou a fala de Lagarde.
“Em qualquer outro momento da história, um banco central com inflação acelerando dessa maneira (8% a.a.) não manteria juros em -0,5% e recompra de ativos até o quarto trimestre, somente dizendo que irá fazer algo no futuro”, disse. “Essa foi a decisão do BCE hoje. Desaprenderam a fazer aperto monetário”, completou.
Por volta das 16h35 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2023 tinha taxa de 13,105% de 13,065% % no ajuste anterior projetava taxa de 12,800%, de 12,700%, o DI para janeiro de 2025 ia a 12,155%, de 12,030% antes, e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 11,860% de 11,720%, na mesma comparação. No mercado de câmbio, o dólar operava em alta, cotado a R$ 4.6920 para venda.
Pedro de Carvalho / Agência CMA
Imagem: piqsels.com
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