A desaceleração da economia chinesa, decorrente de diversos ajustes internos voltados à estabilização desde meados do ano passado, se depara com desafios maiores em meio aos choques recentes. De acordo com a analista Fabiana D’Atri, do Bradesco, o cenário pode acarretar num crescimento econômico menor nos próximos semestres.
“O conflito na Ucrânia, o aumento significativo de casos de covid, acompanhado por medidas muito restritivas de circulação, e a desaceleração ainda em curso do setor imobiliário impõe um risco baixista para a economia, neste ano”, explica D’atri. “Revisamos nossas expectativas para o crescimento deste e do próximo ano, para 4,7% e 4,5%, respectivamente”.
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Ela explica que enquanto a China tomou a dianteira em relação ao mundo nos esforços para controlar os casos de coronavírus ainda em 2020, o país também procurava estimular a oferta, aproveitando a demanda global. Isso tudo em meio ao fortalecimento do mercado interno e de estímulos à autossuficiência em tecnologia.
“Destacam-se intervenções no setor de tecnologia, educação, imobiliário e controle de emissão de poluentes. A agenda da prosperidade comum foi também trazida em diversas ocasiões. A resposta a essas medidas foi rápida e na direção de um crescimento mais baixo”, explica.
Dados do primeiro trimestre deste ano mostram que os estímulos do governo, que ampliou a concessão de crédito no período em 17%, ainda não refletem os impactos dos lockdowns presente em boa parte do país, que deverá ficar mais evidente mais para frente, de acordo com a analista.
Os sinais de desaceleração que já se apresentam, segundo D’atia, residem nas exportações, setor imobiliário e consumo das famílias. Com o avanço da vacinação e a abertura da economia, o crescimento da demanda por serviços, que tem nos países vizinhos da China concorrentes na oferta global de bens, desacelera as exportações – antes amortecedoras dos demais setores.
“A preocupação é com uma desaceleração mais pronunciada da economia chinesa e com um agravamento das cadeias produtivas. A normalização esperada da indústria mundial pode ser postergada, dado o papel relevante da China – e a desinflação de bens industriais deve demorar mais do esperávamos no início do ano”.
Há ainda o agravante da guerra na Ucrânia. Parceira declarada da Rússia, a China pode sofrer com retaliações do Ocidente. Tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia já ameaçaram impor sanções aos chineses casos eles auxiliem militarmente ou economicamente os russos.
Para a analista, o que está para se definir, portanto, são os desafios econômicos e o ambiente geopolítico nos próximos dois trimestres, que se tornaram mais complexos. Se por um lado seria o momento de adicionar clareza num momento de estabilidade, o cenário atual indica maiores incertezas.
Darlan Azevedo / Agência CMA
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