A divulgação do índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) para sua maior alta em 40 anos (8,5% em março), puxada sobretudo pelo aumento nos preços de energia, trouxe sinais de que os ganhos mensais nos preços principais estão moderados, segundo analistas da Capital Economics.
Na comparação mensal, o núcleo do índice de preços ao consumidor, que exclui a variação dos preços de alimentos e energia, subiu 0,3% em março, após a alta de 0,5% em fevereiro. Nos 12 meses encerrados em março, o núcleo do índice de preços ao consumidor subiu 6,5%. O mercado previa para o núcleo alta de 0,5% em base mensal e de 6,6% em base anual.
“O salto de 18,3% nos preços da gasolina resultou em um aumento de 11% na energia do CPI, o suficiente para elevar os preços ao consumidor em 1,2% m/m”, explicam os analistas. “Mas ainda esperamos que os preços da energia recuem ao longo do resto do ano, e a inflação da energia deve cair acentuadamente nos próximos meses”, completam.
Isso porque, para os analistas, o aumento do núcleo da inflação em 0,6% pode refletir principalmente um impulso temporário na inflação pós-Ômicron. O que sustenta esse cenário, segundo eles, é a menor alta nos pedidos de alimentação delivery nos últimos 12 meses (0,3%) assim como nos preços dos aluguéis (0,4%).
Eles ainda ressaltam que, apesar da melhora do índice em março, a postura mais agressiva do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para combater a inflação não deve mudar para a próxima reunião a ser realizada em maio.
“Os dados de março não mudarão os planos do Fed de aumentar o ritmo de aumentos de taxas para 0,5 ponto percentual (pp) por reunião a partir do próximo mês”, explicam os analistas. “Tendo demorado a perceber que o aumento inicial de preços não foi transitório, os membros do Fed estão agora sendo um pouco pessimistas sobre a rapidez com que a inflação irá recuar”.
Darlan Azevedo / Agência CMA
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