A Inteligência Artificial já saiu dos filmes de ficção para dominar a rotina do brasileiro. No entanto, nem toda inovação recebe a mesma atenção. De fato, as ferramentas visíveis e fáceis viralizam rapidamente. Por outro lado, a IA invisível e estratégica, que realmente move o dinheiro e os grandes negócios, permanece ignorada pela maioria.
O que pegou na IA que o consumidor realmente abraçou?
O brasileiro abraçou a IA de forma entusiástica quando ela se manifestou como entretenimento ou solução imediata e gratuita. Com efeito, o consumo de ferramentas diretas mostra o caminho da adoção:
- ChatGPT e Geradores de Texto: O uso do ChatGPT e de Large Language Models (LLMs) explodiu no Brasil. As pessoas rapidamente entenderam o valor de ter um assistente que redige e-mails, cria resumos ou planeja roteiros de viagem. Consequentemente, a IA generativa se tornou a ferramenta de produtividade mais popular.
- Filtros e Reconhecimento Facial: Em primeiro lugar, a IA entrou no bolso do brasileiro através das redes sociais. Filtros de realidade aumentada do Instagram e TikTok utilizam algoritmos de Machine Learning para mapear rostos em tempo real. Além disso, o reconhecimento facial nos aplicativos de bancos e para desbloqueio de celular virou um padrão de segurança.
- Assistentes de Voz (Alexa e Google Assistant): A interface conversacional simplificou a tecnologia em casa. Assim, comandos de voz para acender luzes ou pedir música se tornaram comuns. Os brasileiros aceitaram a IA que “escuta” e executa tarefas básicas, pois ela elimina a fricção dos apps tradicionais.

O lado ignorado onde está o dinheiro da IA estratégica
Enquanto a IA do consumo se espalha, seu lado mais lucrativo e complexo permanece invisível para a maioria. Estas são as inovações que transformam indústrias, mas não aparecem nas manchetes:
- Modelos de Previsão e Back-End: A IA mais importante atua nos bastidores. Grandes bancos utilizam modelos preditivos para detectar fraudes em tempo real no Pix. Da mesma forma, varejistas usam algoritmos para otimizar stocks e logística. Dessa forma, essa IA opera sem alarde, mas garante a segurança e a eficiência de bilhões em transações.
- Ferramentas Profissionais (MLOps e FinOps): A maioria ignora que a manutenção de um modelo de IA em produção exige uma profissão inteira: o Engenheiro MLOps. Essa função crítica garante que o algoritmo continue funcionando, mas exige um conhecimento técnico que a maioria não possui. Por conseguinte, a escassez de especialistas é alta.
- Ética e Governança em IA: A discussão sobre regulação, vieses algorítmicos e o futuro do trabalho é vital. No entanto, a complexidade do tema afasta o debate da rotina, fazendo com que o brasileiro se preocupe mais com o que a IA pode fazer por ele hoje do que com o que ela fará com a sociedade amanhã.
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Por que o brasileiro ignora a IA estratégica?
A discrepância na adoção de tecnologias de IA é um reflexo do foco na usabilidade e no resultado imediato. Conforme mostramos, o consumidor prioriza a facilidade.
A tabela a seguir ilustra o contraste entre as duas formas de adoção:
| Categoria de IA | Foco do Brasileiro | Barreira de Entrada |
| IA de Consumo | Conveniência e Entretenimento | Baixa (Uso Intuitivo) |
| IA Estratégica | Otimização de Processos | Alta (Conhecimento Técnico) |

A barreira de conhecimento técnico e a falta de marketing direto para o público final mantêm a IA estrutural nas mãos de poucos especialistas. Entretanto, quem domina essa área invisível colhe os maiores frutos financeiros.
Rota de carreira
A IA é onipresente, mas o brasileiro escolhe interagir apenas com a parte divertida e fácil. Entretanto, a próxima onda de prosperidade virá do domínio da IA que opera nos bastidores, aquela que exige lógica e especialização. Investir em conhecimento técnico agora garante que você não apenas use a tecnologia, mas a construa.


