O dólar encerrou a sessão desta segunda-feira (8) em queda de 0,20%, cotado a R$ 5,4209, após um dia de forte oscilação. No início do pregão, a moeda chegou a romper o patamar de R$ 5,40, tocando mínima de R$ 5,3870, mas reverteu parte das perdas antes de voltar a cair no fim do dia.
Segundo operadores, a volatilidade refletiu o aumento das incertezas sobre o cenário eleitoral de 2026, após o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
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Política domina o dólar e deixa mercado em alerta
O movimento de baixa durante a manhã foi associado à realização de lucros depois do avanço de 2,29% na sexta-feira (5), além das declarações de Flávio Bolsonaro de que poderia retirar sua candidatura caso avançasse a proposta de anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado — o que beneficiaria Jair Bolsonaro.
Nos bastidores, uma possível saída de Flávio é interpretada por parte do mercado como fator que fortalece o nome de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, avaliado por agentes financeiros como defensor de maior disciplina fiscal a partir de 2027.
No entanto, a moeda virou para alta no início da tarde, alcançando R$ 5,46, acompanhando o fortalecimento do dólar no exterior e a queda do petróleo. A reversão posterior só ocorreu com alívio nos juros dos Treasuries e com o desempenho positivo de moedas emergentes.
Mercado monitora Fed e risco fiscal
Para Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, o quadro internacional mantém o dólar pressionado, mas o fator dominante no momento é o político:
“Apesar da sazonalidade ruim com remessas de fim de ano, a questão política tem impacto muito maior agora. O mercado ainda tenta entender os desdobramentos da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Ele avalia como pouco provável a condição colocada pelo senador para sair da disputa e destaca que o mercado deve conviver com maior instabilidade no curto prazo.
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“O dólar mudou de patamar com a alta mais forte na sexta-feira e é preciso ver agora em que nível vai se acomodar”, completou.
A expectativa majoritária é de que o Federal Reserve (Fed) corte os juros em 0,25 ponto percentual na reunião desta quarta-feira (10).
Para o UBS Wealth Management, o real continua entre as moedas mais atrativas para carry trade — estratégia que busca ganhos com diferença de juros entre países — mas a evolução fiscal e eleitoral será determinante para o câmbio em 2026.
O banco alerta que “o posicionamento fiscal do candidato líder nas pesquisas será fundamental para o comportamento do real no próximo ano”.
O UBS projeta que a combinação de inflação mais baixa e expectativas ancoradas pode permitir que o Copom inicie cortes na Selic no fim do primeiro trimestre ou início do segundo, com possibilidade de recuo da taxa para perto de 12%.


