Muitos motoristas pagam o imposto anual sem perceber que uma mudança histórica na constituição alterou as regras de isenção para sempre. Entender essa nova dinâmica pode zerar seu boleto automaticamente, dependendo apenas do ano de fabricação do seu automóvel.
Por que os valores variam tanto?
A alíquota do tributo não é unificada porque a Constituição Federal garante autonomia total aos estados para definirem suas próprias cobranças anuais. Regiões como São Paulo cobram percentuais mais altos em carros de passeio, enquanto estados do Sul ou Norte aplicam taxas reduzidas para atrair frotas.
O valor final que chega na sua casa é calculado multiplicando essa alíquota regional pelo valor venal atualizado do veículo na tabela FIPE de setembro anterior. Isso explica por que um mesmo modelo de carro pode pagar o dobro de imposto apenas por estar registrado em uma fronteira estadual diferente da vizinha.

Quais são as alíquotas de 2026?
Para o calendário atual, as secretarias de fazenda estaduais ajustaram suas tabelas, criando um abismo tributário entre as categorias de veículos. As médias nacionais revelam uma clara intenção de taxar o luxo e aliviar ferramentas de trabalho essenciais:
- Carros de Passeio: Taxa média de 3% a 4% (SP, RJ e MG cobram o teto).
- Motocicletas: Alíquota reduzida para 2% na maioria dos estados brasileiros.
- Caminhões: Pagam apenas 1% a 1,5% por serem vitais para a logística.
- Elétricos: Rio de Janeiro e outros estados cobram apenas 0,5% ou isentam.
Essa distinção busca equilibrar a arrecadação fiscal com o impacto que cada veículo causa no trânsito urbano e na infraestrutura viária pública. Enquanto donos de SUVs arcam com os custos mais pesados, motociclistas e caminhoneiros recebem incentivos fiscais diretos para manterem suas atividades econômicas viáveis.
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Como funciona a nova isenção nacional?
A recente Emenda Constitucional 137 unificou a regra de imunidade tributária, proibindo a cobrança de imposto sobre veículos com 20 anos ou mais em todo o país. O Senado Federal promulgou essa lei para corrigir injustiças em estados como Minas Gerais, que antes dificultavam esse benefício.
Essa medida constitucional protege o patrimônio de quem mantém carros antigos, impedindo que o estado tribute bens que já contribuíram por duas décadas seguidas. Contudo, estados que já ofereciam isenção com prazos menores, como 10 ou 15 anos, mantêm suas regras originais mais benéficas ao contribuinte local.
Vale a pena ter um carro antigo?
Adquirir um veículo fabricado antes de 2006 tornou-se uma tática financeira inteligente para escapar das despesas fixas obrigatórias no Brasil. A economia anual gerada pela isenção automática permite redirecionar recursos valiosos para a manutenção preventiva de alta qualidade que esses modelos exigem.
Manter um clássico isento na garagem transforma um simples meio de transporte em um ativo livre de dívidas estatais recorrentes. A combinação de robustez mecânica dos anos 90 com custo tributário zero atrai cada vez mais motoristas que buscam fugir da desvalorização acentuada dos seminovos modernos.



