A ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, provocou reação imediata no mercado financeiro, mas embora o petróleo tenha subido após o episódio, dados mostram que o setor que realmente disparou foi o de defesa.
A leitura dos grandes investidores é de que um aumento na percepção de risco geopolítico e a sinalização de um mundo menos ancorado em regras multilaterais, favorece o desempenho de empresas ligadas à indústria militar.
Desde o episódio, a indústria de defesa avançou quase 6,19%, sustentando uma alta moderada do S&P 500. Com o avanço, o setor chega a uma alta de 10,4% em 2026 em apenas três sessões (confira no gráfico abaixo).
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Ásia confirma movimento observado nos EUA
A reação dos mercados asiáticos reforçou essa leitura. Pelo segundo pregão consecutivo, as bolsas da região Ásia-Pacífico subiram puxadas principalmente por ações ligadas à indústria de defesa.
No Japão, o índice Nikkei avançou mais de 3%, com papéis do setor militar registrando altas superiores a 8%. Xangai e Shenzhen subiram acima de 1%, enquanto Hong Kong também fechou em alta.
O desempenho contrastou com mercados como Índia e Austrália, onde o peso do setor de defesa é menor.
Setor de petróleo fica volátil
A expectativa de maior influência americana na Venezuela e de mudanças na política energética do país impulsionou ações como Chevron, Exxon Mobil e ConocoPhillips, com altas entre 2% e 5%, nos Estados Unidos.
Ainda assim, o índice de produtores de petróleo e gás registra queda (confira no gráfico abaixo), apesar da valorização do barril e dos contratos futuros de empresas ligadas a energia.
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Alerta jurídico ajuda a explicar reação do mercado
A dimensão institucional do episódio também entrou no radar dos investidores. Em análise publicada no ConJur, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello classificou a ação dos Estados Unidos como uma violação grave da soberania de um Estado e dos princípios centrais do Direito Internacional.
Segundo o ministro aposentado, a captura de um chefe de Estado em território estrangeiro, sem consentimento formal, representa uma ruptura com os mecanismos de cooperação internacional, substituindo a previsibilidade jurídica pela lógica da força.
Para o mercado, essa leitura reforçou a percepção de que o mundo pode estar entrando em uma fase de maior militarização e menor coordenação institucional — cenário historicamente favorável a empresas do setor de defesa.

