Após um 2025 marcado por ganhos nos ativos de risco brasileiros, o início de 2026 ocorre em um ambiente de maior incerteza para os mercados. O cenário reflete, principalmente, a proximidade das eleições de outubro no Brasil, consideradas relevantes para a definição do rumo fiscal e econômico do país.
No exterior, a política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiciona volatilidade aos mercados. Entre os principais movimentos recentes estão a retirada de Nicolás Maduro do poder na Venezuela, ameaças de anexação da Groenlândia e a possibilidade de intervenções militares no Irã.
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“A estupidez insiste sempre” – Albert Camus.
Brasil: política entra no radar dos investidores
A política doméstica voltou ao centro das atenções no começo do ano. Pesquisas de intenção de voto devem influenciar o comportamento dos ativos ao longo de 2026, à medida que o mercado busca antecipar o cenário eleitoral de 2027.
Entre analistas, há consenso de que, independentemente do resultado das eleições, uma reforma econômica e administrativa será necessária para conter a trajetória das contas públicas.
Até março, o mercado espera maior definição do quadro eleitoral, com a confirmação dos principais candidatos. Levantamento divulgado nesta semana indica o presidente Lula como favorito, embora a diferença em relação a outros nomes tenha diminuído.
O estudo também mostra crescimento das intenções de voto em Flávio Bolsonaro nas últimas semanas, movimento limitado por um nível elevado de rejeição, fator relevante em simulações de segundo turno. Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aparece em empate técnico com Lula em cenários de segundo turno, mesmo sem candidatura oficializada, o que o coloca como um nome competitivo no campo da oposição.
Indicadores econômicos e política monetária
No campo fiscal, o governo encerrou 2025 com déficit primário de 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB), dentro da meta prevista no arcabouço fiscal pelo terceiro ano consecutivo. O resultado primário mede a diferença entre receitas e despesas do governo antes do pagamento de juros da dívida.
Parte do mercado, no entanto, destaca que o número oficial exclui despesas classificadas como excepcionais. Sem essas exclusões, estimativas indicam que o déficit poderia se aproximar de 8% do PIB.
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Na atividade econômica, dois indicadores referentes a novembro vieram acima das projeções. As vendas no varejo cresceram 1%, superando a expectativa de alta de 0,3%. Já o IBC-Br, índice calculado pelo Banco Central e considerado uma prévia do PIB, avançou 0,7%, após queda de 0,2% em outubro.
Os dados reforçam a leitura de que o início do ciclo de cortes da Selic — taxa básica de juros — deve ocorrer apenas em março. Também indicam que o aperto monetário perde parte de sua eficácia quando a política fiscal permanece expansionista.
Estados Unidos: balanços, inflação e juros
A temporada de balanços nos Estados Unidos começou com resultados abaixo das expectativas em grandes bancos. O JPMorgan registrou lucro 7% menor na comparação anual. Bank of America, Wells Fargo e Citigroup também reportaram pressão sobre receitas e aumento de custos.
Na inflação, o índice de preços ao consumidor (CPI) de dezembro mostrou desaceleração acima do esperado. O CPI cheio subiu 2,7% em 12 meses, enquanto o núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou 2,6%.
Apesar da reação positiva dos mercados, as expectativas para cortes de juros seguem concentradas na reunião de junho do Federal Reserve (Fed). As vendas no varejo de novembro cresceram 0,6%, acima da projeção de 0,5%, revertendo a queda de 0,1% registrada em outubro.
No campo político, decisões e declarações do presidente Donald Trump seguem sendo monitoradas por investidores, especialmente em temas ligados à política externa, à relação com o Federal Reserve e à regulação do sistema financeiro, por seus potenciais impactos sobre a economia e os mercados globais.
China: superávit comercial atinge novo patamar
A China registrou superávit comercial de US$ 1,2 trilhão em 2025. O dado reforça a avaliação de que o país vem reduzindo sua dependência do comércio com os Estados Unidos, ampliando fluxos com outras economias e fortalecendo sua posição no comércio global.
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Os mercados
No mercado de juros, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2028, atualmente o mais negociado da B3, subia 13 pontos-base, para 13,20%. O mercado segue precificando o início dos cortes da Selic em março, embora a curva futura indique pressão adicional.
A taxa implícita entre os vencimentos de outubro de 2026 e janeiro de 2027 aponta Selic de 12,82%, acima dos 12,72% observados na semana anterior.
No cenário internacional, o ouro mantém trajetória de valorização após alta acumulada de 64% em dólares em 2025. O movimento está associado a riscos geopolíticos e à percepção sobre o quadro fiscal dos Estados Unidos.
O Bitcoin, após queda de 6,3% em 2025, registra alta em 2026, movimento relacionado à busca por ativos alternativos em meio às discussões sobre política monetária global.


