A taxa de desemprego do Reino Unido ficou em 5,1% nos três meses até novembro, mantendo o mesmo nível observado no trimestre encerrado em outubro, segundo dados divulgados nesta terça-feira (20) pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONS).
O resultado veio acima do consenso do mercado, que projetava 5%. O indicador mede a proporção de pessoas sem trabalho que procuram emprego ativamente e é acompanhado de perto pelo Banco da Inglaterra.
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Mercado de trabalho perde força no Reino Unido
Além do desemprego elevado, os dados mostraram enfraquecimento no crescimento salarial. O salário semanal médio, excluindo bônus — métrica que reflete melhor a tendência estrutural dos rendimentos — avançou 4,5% em base anual, ligeiramente abaixo dos 4,6% registrados no trimestre anterior.
Quando considerados os bônus, o crescimento salarial caiu de 4,8% para 4,7%, em linha com as projeções dos analistas.
Emprego recua e setor de serviços é o mais afetado
O ONS informou que o número de pessoas empregadas com carteira assinada caiu em 43 mil em dezembro, na comparação mensal, totalizando 30,2 milhões de trabalhadores. Trata-se da maior queda mensal desde novembro de 2020, período marcado pela pandemia.
Os setores de varejo, restaurantes, bares e hotéis foram os mais impactados pela desaceleração das contratações, refletindo um ambiente de menor atividade econômica.
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Greves ampliam perda de dias trabalhados
Outro fator de pressão sobre o mercado de trabalho foi o aumento das paralisações. O ONS estima que 155 mil dias de trabalho foram perdidos em novembro de 2025 devido a conflitos trabalhistas.
Segundo o órgão, esse foi o maior volume desde janeiro de 2024, com mais da metade das perdas concentradas nos setores de saúde e assistência social, principalmente em razão das greves de médicos na Inglaterra.
Orçamento pressiona confiança das empresas no Reino Unido
O ambiente de incerteza também foi intensificado pelas medidas fiscais anunciadas pelo governo britânico. A chanceler do Tesouro, Rachel Reeves, enfrenta críticas de empresários após anunciar 26 bilhões de libras esterlinas em aumento de impostos no orçamento apresentado no fim de novembro.
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Empresas dos setores de varejo e hospitalidade foram as mais críticas, sobretudo diante das mudanças nas taxas comerciais, que podem elevar os custos de pubs em até 76% ao longo dos próximos três anos. O governo estuda medidas de compensação, incluindo possíveis reduções nessas tarifas.
A combinação de desemprego elevado, desaceleração salarial e queda no emprego reforça os sinais de perda de tração da economia britânica. Esses dados são monitorados de perto pelo Banco da Inglaterra, já que salários mais fracos tendem a reduzir pressões inflacionárias, influenciando decisões sobre juros.