Se as empresas com ação em Bolsa listarem seus desafios para o ano, certamente as áreas de Relações com Investidores (RI) colocarão perto do topo da lista a necessidade de uma comunicação estratégica para unir empresas e investidores pessoas físicas de perfis distintos. Isso ficou claro na avaliação de Ainá Guimarães, analista sênior de RI da Iochpe-Maxion (MYPK3), em sua palestra no IR Summit 2026.
O evento promovido pela MZ Group nesta quinta-feira (29), em São Paulo reuniu mais de 350 convidados e representantes de companhias abertas, consultorias e instituições financeiras. O Monitor do Mercado participou, apresentando a solução Monitor Valores para empresas. Nesta área do site, companhias têm espaço para falar com investidores por diferentes meios digitais, como podcasts, mailings e redes sociais.
Com a apresentação de Cássio Rufino, COO da MZ, a programação do IR Summit abordou os impactos das transformações estratégicas e tecnológicas sobre a comunicação entre empresas e investidores.
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Presença digital ganha protagonismo no RI
A presença digital no RI foi o tema do primeiro painel do dia, com moderação de Fernando Martinez, sócio da CLA Brasil. Participaram Catarina Bruno, supervisora de RI da Odontoprev (ODPV3); Davi Coin Bacichette, gerente de RI da Randoncorp (RAPT4); além de Ainá Guimarães, da Iochpe-Maxion.
Os debatedores ressaltaram o papel dos sites de RI, plataforma que costuma ser o principal ponto de contato entre a empresa e o mercado. É por meio dele que investidores acessam fatos relevantes, comunicados ao mercado e demonstrações financeiras.
Ainá afirmou que o desafio está em estruturar as informações para públicos distintos, como investidores institucionais e pessoas físicas, além das redes sociais. “É importante construir a narrativa para que as pessoas entendam a estratégia da empresa por meio de camadas”, disse.
Catarina acrescentou que o acesso à informação precisa ser rápido, mas também detalhado, para atender tanto quem busca dados objetivos quanto quem deseja entender os números de forma mais aprofundada.
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IA amplia eficiência, mas não substitui o relacionamento com investidores
O uso de inteligência artificial (IA) também foi tema do debate. Segundo os participantes, a tecnologia auxilia em tarefas como leitura de documentos extensos, traduções e resumos de balanços.
No entanto, Ainá lembrou que, apesar dos ganhos de eficiência, o conteúdo gerado por IA precisa ser revisado para evitar interpretações equivocadas. Davi Coin afirmou que o uso excessivo da tecnologia pode prejudicar o relacionamento com investidores, reforçando que o contato humano é importante na função de RI.
Para Catarina, imprecisões em informações passadas por ferramentas de IA, como o ChatGPT, podem indicar falhas na comunicação das próprias companhias, o que reforça a importância de dados claros e bem estruturados nos canais oficiais.
“Não é só colocar as informações no site, precisa haver uma checagem e uma organização para que os conteúdos sejam entregues da forma adequada e gere resultados”, completou Cássio Rufino, ao fim do painel.
Corporate Access conecta empresas e mercado
O terceiro painel abordou o tema Corporate Access, prática que envolve a aproximação entre empresas e investidores por meio de reuniões, eventos e roadshows. A moderação foi de Alex André, head de Corporate Access da MZ.
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Participaram Olavo Vaz, CFO e IRO da Valid (VLID3); Natalia Vasconcellos, gerente de RI da HBR (HBRE3); Fábio Maeda, CFO e RI do Banco da Amazônia (BAZA3); e Camila Conrado, superintendente de RI da Profarma (PRFM3).
Os participantes destacaram que o contato direto com investidores pode influenciar a percepção do mercado sobre as companhias, especialmente em momentos de maior incerteza. Segundo Natalia Vasconcellos, a comunicação ativa ajuda a reduzir ruídos e a reposicionar os papéis no mercado após períodos de adversidade.


