O avanço dos agentics commerce, modelo em que agentes de inteligência artificial (IA) realizam toda a jornada de compra, pode transformar o funcionamento do e-commerce e pressionar o modelo de negócios dos grandes marketplaces. A avaliação é do BTG Pactual em novo relatório.
Segundo o banco, a adoção desses agentes reduz a necessidade de navegação em plataformas digitais, o que pode afetar diretamente tráfego, engajamento e receitas com mídia digital, hoje uma das principais fontes de rentabilidade do setor.
Na avaliação do analista Luiz Guanais, o cenário evidencia uma transição do comércio eletrônico de um ambiente baseado em navegação para sistemas automatizados de decisão.
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IA pode concentrar jornada de compra no e-commerce
Na leitura do BTG, a evolução tecnológica pode condensar toda a experiência de compra em um único resultado gerado por algoritmos. Nesse modelo, as plataformas deixam de controlar a descoberta de produtos e disputam espaço no processo decisório dos algoritmos.
“O agente se torna o novo guardião da demanda, enquanto as plataformas horizontais passam a competir para serem incluídas nesse processo de decisão”, afirma Guanais.
O modelo pode reduzir a relevância das vitrines digitais e mudar a forma como consumidores escolhem produtos, priorizando critérios como preço final e prazo de entrega.
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Brasil aparece entre mercados mais expostos
O relatório destaca o Brasil como um dos países mais sensíveis a essa transformação. Segundo o banco, o mercado brasileiro reúne características que favorecem decisões automatizadas, como alto uso de dispositivos móveis e forte sensibilidade ao preço.
O BTG também aponta que quase metade dos consumidores brasileiros afirma que trocaria de plataforma após uma experiência negativa de entrega. Para o banco, isso aumenta o peso de indicadores objetivos, como custo total da compra e eficiência logística.
Mercado Livre reúne riscos e oportunidades
Dentro desse contexto, o BTG avalia que o Mercado Livre apresenta tanto riscos quanto vantagens estruturais nesse novo ambiente. A companhia pode ser impactada pela possível redução da relevância da publicidade digital, mas possui um ecossistema integrado que inclui logística, meios de pagamento e crédito.
Para o analista, essa estrutura tende a ganhar relevância em um cenário dominado por agentes automatizados. “A capacidade de execução passa a importar mais do que a afinidade com a marca”, afirma.
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Setor pode seguir dois caminhos
O banco projeta dois cenários possíveis para o comércio eletrônico. No primeiro, agentes de IA direcionariam compras para a opção mais barata aceitável, transformando marketplaces em plataformas operacionais com margens menores.
No segundo cenário, as empresas conseguem se integrar aos ecossistemas de agentes e passam a atuar como infraestrutura das transações, monetizando serviços, pagamentos e garantias.
Segundo Guanais, o desempenho das companhias dependerá da capacidade de adaptação tecnológica e estratégica ao novo modelo de consumo digital. Para o analista, plataformas que conseguirem integrar logística, meios de pagamento e oferta de crédito tendem a manter relevância mesmo com a intermediação crescente da inteligência artificial.
