A Moody’s manteve estável a perspectiva para o sistema bancário do Brasil nos próximos 12 a 18 meses, mesmo após o escândalo envolvendo o Banco Master. A classificação revelada nesta segunda-feira (9) segue em Ba1 estável, refletindo um ambiente de crescimento econômico moderado, inflação em desaceleração e condições financeiras ainda restritivas.
Segundo a agência de classificação de riscos, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer cerca de 2% em 2026 e 2027, levemente abaixo dos 2,1% estimados para 2025.
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A inflação deve convergir para o intervalo da meta do Banco Central, o que permitirá uma redução gradual da taxa básica de juros, embora os juros devam permanecer em patamar de dois dígitos até o fim de 2026. Confira abaixo o ranking das instituições:

Eleição e incertezas pressionam ambiente operacional
A Moody’s avalia que as incertezas econômicas devem persistir ao longo de 2026 em meio a eleição presidencial, afetando a confiança das empresas e o ambiente operacional dos bancos.
Nesse cenário, a originação de crédito tende a ficar ligeiramente abaixo dos níveis de 2025. Os volumes de empréstimos em atraso (NPLs, na sigla em inglês) devem permanecer elevados, pressionando o crescimento da carteira. As provisões robustas para perdas com crédito devem absorver parte relevante desses riscos.
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Crédito cresce pouco e inadimplência segue elevada
De acordo com a agência, as novas concessões de crédito devem desacelerar em relação a 2025, refletindo juros altos e níveis historicamente elevados de endividamento de famílias e pequenas e médias empresas.
Os bancos devem manter foco em operações com garantias, tanto para pessoas físicas quanto para empresas amparadas por programas governamentais. A Moody’s também aponta que a inadimplência elevada no setor agrícola e em empresas menores continuará pressionando os indicadores de qualidade de ativos em 2026.
Rentabilidade deve permanecer estável
A Moody’s projeta manutenção da rentabilidade do setor bancário, sustentada por margens relativamente estáveis, controle rigoroso de custos operacionais e redução das provisões após despesas relevantes registradas em 2025.
Com a expectativa de queda gradual dos juros e crescimento moderado do crédito, os bancos devem ampliar o foco em receitas de tarifas, aproveitando a demanda de investidores locais no mercado de capitais. Mesmo com alguma pressão sobre as margens, elas seguem elevadas na comparação internacional.
Já a capitalização do sistema bancário não deve passar por mudanças relevantes, já que o crescimento dos empréstimos tende a ser moderado. A geração interna de capital seguirá reforçando os colchões regulatórios, mesmo com a implementação gradual das provisões baseadas no IFRS 9 até 2028.
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A Moody’s avalia que a captação e a liquidez permanecerão robustas, apoiadas pela grande participação de depósitos de varejo, tradicionalmente mais estáveis, e pela forte atividade no mercado de capitais doméstico.
Suporte a bancos grandes permanece após banco Master
A agência ressalta que o suporte governamental aos bancos sistemicamente importantes permanece inalterado. Em um cenário de estresse, a expectativa é de apoio concentrado nas grandes instituições, especialmente aquelas com elevada participação em depósitos de varejo.
No entanto, a Moody’s alerta que a situação fiscal do governo limita sua capacidade de oferecer suporte amplo ao setor financeiro em caso de crise.
No relatório, a agência também citou o caso Master e o alto número de saques do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo a Moody’s, as recomposições no FGC após desembolsos recentes não devem afetar de forma relevante a liquidez do sistema até 2026.











