As ações da Eneva (ENEV3) registram forte queda no pregão desta terça-feira (10), após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovar os preços-teto do leilão de reserva de capacidade (LRCAP) em níveis inferiores às expectativas do mercado.
Na mínima do dia, os papéis chegaram a cair 19,3%, o maior recuo intradiário desde março de 2020, período inicial da pandemia de Covid-19 no Brasil.
Por volta de 15h30, ENEV3 recuava 14,4%, aos R$ 18,70, liderando as perdas do Ibovespa, que operava em leve queda — perdendo o patamar de 186 mil pontos. O volume negociado com o papel era o maior do índice, com mais de 65 mil negócios, e a ação chegou a entrar em leilão ao longo da manhã.
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Decisão da Aneel muda percepção sobre o leilão
O movimento negativo ganhou força após a divulgação de uma apresentação técnica da Aneel durante a reunião de diretoria que analisou o edital do LRCAP. A sinalização de preços-teto mais baixos reduziu o valor econômico esperado para novos projetos de geração.
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Ao final da manhã, a agência aprovou os editais do leilão, previsto para março, com os seguintes preços-teto:
- R$ 1,12 milhão por MW.ano para térmicas existentes;
- R$ 1,6 milhão por MW.ano para novas térmicas;
- R$ 1,4 milhão por MW.ano para hidrelétricas.
Os valores ficaram abaixo das projeções que vinham sendo utilizadas por investidores e analistas.
Impacto direto no valuation da Eneva
Segundo Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, o mercado esperava um teto em torno de R$ 2,5 milhões por megawatt para novos projetos.
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“O valor proposto de R$ 1,6 milhão por MW já é significativamente inferior. Para ativos existentes, como Parna I e Parna III, o teto ainda menor, próximo de R$ 1,12 milhão por MW, agravou o sentimento negativo”, afirmou ao Broadcast.
Na avaliação da casa, a redução do teto afeta diretamente a atratividade econômica de projetos térmicos, que exigem contratos de longo prazo para garantir retorno adequado.
Citi aponta preços insuficientes para novos projetos
O Citi também avaliou que os preços aprovados pela Aneel ficaram abaixo do necessário para viabilizar novos empreendimentos. Segundo o banco, o preço mínimo para remunerar adequadamente um novo projeto térmico seria de cerca de R$ 3,1 milhões por MW.ano, considerando contratos de transporte de gás do tipo take-or-pay e uma taxa interna de retorno (TIR) real de 10%.
O analista João Pimentel destacou que o banco trabalhava com um cenário mais conservador, assumindo que a Eneva conseguiria recontratar ativos existentes e fechar novos projetos a preços próximos de R$ 2,2 milhões por MW.ano, hipótese que perdeu força após a decisão regulatória.
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“O edital aprovado torna muito difícil recontratar nova capacidade com retornos atrativos”, afirmou o analista, ponderando que uma revisão mais detalhada dependerá da publicação do edital completo, prevista para os próximos dias.
Revisão de preço-alvo entra no radar
Segundo o Citi, caso a Eneva (ENEV3) consiga recontratar apenas a capacidade existente ao preço-teto definido pela Aneel e deixe de viabilizar projetos como o Celse II, o preço-alvo da ação poderia cair cerca de 25%, de R$ 25 para aproximadamente R$ 20 por ação.
O movimento contrasta com a avaliação recente do UBS BB, que, na semana passada, havia elevado a recomendação da Eneva de neutra para compra e revisado o preço-alvo de R$ 16 para R$ 27, justamente com base na expectativa de um leilão mais favorável.











