O balanço da Suzano no quarto trimestre surpreendeu o mercado após a companhia reverter o prejuízo de R$ 6,7 bilhões em 2024 para um lucro de R$ 116 milhões em 2025. O resultado impulsionou as ações SUZB3 para uma alta de quase 10%, liderando o Ibovespa nesta quarta-feira (11).
Na comparação com o terceiro trimestre, quando havia lucrado R$ 1,9 bilhão, houve queda. O Ebitda ajustado — indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — somou R$ 5,5 bilhões, recuo de 14% em 12 meses.
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A receita líquida ficou em R$ 13,1 bilhões, queda anual de 8%, mas alta de 8% frente ao trimestre anterior.
Segundo a companhia, o período foi marcado pela continuidade da recuperação dos preços da celulose de fibra curta, após meses de incertezas no comércio internacional. A melhora refletiu sazonalidade, perspectiva de menor oferta no curto prazo e preços mais elevados da madeira na China.
Volume maior compensa preços menores
A queda da receita no comparativo anual foi atribuída à valorização do real frente ao dólar médio e à redução do preço médio da celulose em moeda americana. Esses efeitos foram parcialmente compensados pelo aumento de volumes.
As vendas de celulose totalizaram 3,406 milhões de toneladas, alta de 8% ante o trimestre anterior e de 4% em 12 meses. O preço médio líquido foi de US$ 537 por tonelada, avanço de 2% na margem, mas queda de 8% na comparação anual.
No segmento de papel, as vendas no mercado brasileiro cresceram 19% no trimestre, para 297 mil toneladas. No exterior, foram 178 mil toneladas, alta de 29% em 12 meses.
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O custo caixa de produção, sem considerar paradas programadas, caiu para R$ 778 por tonelada, redução de 3% na comparação trimestral e de 4% em um ano.
Ao fim de dezembro, a dívida líquida era de R$ 69,369 bilhões. O indicador de alavancagem, medido pela relação dívida líquida/Ebitda ajustado, ficou em 3,2 vezes.
Suzano tem estoques baixos, mas demanda acima da produção
O vice-presidente Comercial de Celulose, Leonardo Grimaldi, informou que a entrada de pedidos no trimestre superou as expectativas.
Segundo ele, a demanda ficou acima da produção, levando os estoques a níveis baixos no fim do ano. Em janeiro, os pedidos permaneceram elevados e o reajuste de preços anunciado foi implementado integralmente.
A Suzano informou que manterá ao longo de 2026 uma produção aproximadamente 3,5% inferior à capacidade nominal anual.
A decisão, segundo a companhia, considera que a retomada do volume marginal não traria retorno adequado. A medida representa a continuidade da redução do ritmo operacional anunciada em agosto do ano passado.
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Novo programa de recompra de ações
O conselho aprovou um novo programa de recompra de até 40 milhões de ações ordinárias, equivalente a cerca de 6,5% do free float.
O prazo é de 18 meses, até agosto de 2027. As aquisições ocorrerão na B3, com recursos das reservas de lucro e capital. Segundo a companhia, a recompra não compromete obrigações com credores nem o pagamento de dividendos obrigatórios.
Citi mantém recomendação de compra para Suzano
O Citi informou que o Ebitda superou sua estimativa de R$ 5,2 bilhões, impulsionado por embarques recordes e custos menores. O banco destacou que o custo por tonelada atingiu o menor nível desde o quarto trimestre de 2021. A geração de fluxo de caixa livre foi de R$ 2,5 bilhões.
O Citi manteve recomendação de compra para Suzano, com preço-alvo de R$ 70 por ação.
Os analistas também apontaram que a extensão da paralisação de 3,5% da capacidade produtiva reforça o ajuste gradual da oferta global de celulose, o que pode contribuir para o equilíbrio do mercado ao longo de 2026.











