Em seu balanço trimestral divulgado nesta quarta-feira (11), a Totvs (TOTS3) destinou duas páginas para tranquilizar seus investidores e rebater a teoria da “morte do software”, na qual o avanço da inteligência artificial (IA) generativa, como o ChatGPT, levaria ao fim das empresas de software empresarial.
A visão recebeu notoriedade após o avanço de ferramentas capazes de gerar códigos e aplicações por meio de comandos em linguagem natural, os chamados prompts. Com isso, parte do mercado passou a defender que esse movimento reduziria a necessidade de softwares desenvolvidos por empresas especializadas.
Dennis Herszkowicz, CEO da companhia, classificou a visão como “uma interpretação equivocada” do impacto da IA generativa no setor, dizendo que a análise ignora diferenças estruturais entre aplicações simples e sistemas de gestão empresarial, como os ERPs (Enterprise Resource Planning) — sistemas que funções críticas como finanças, fiscal, estoque e recursos humanos.
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Além disso, o custo relativo desses sistemas é baixo em relação ao faturamento dos clientes. Empresas atendidas pela Totvs investem, em média, cerca de 0,2% de sua receita em software de gestão, reduzindo o incentivo econômico para substituição.
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Totvs investe mais de R$ 600 milhões em IA
Em vez de tratar a IA como uma ameaça estrutural, a Totvs viu nela uma chance de crescimento e de se movimentar frente a concorrência. A companhia anunciou o LYNN, uma inteligência artificial própria cujo objetivo é criar e operar agentes de IA capazes de executar tarefas específicas dentro dos sistemas de gestão.
A estratégia é baseada no conceito de ANI (Artificial Narrow Intelligence), ou inteligência artificial especializada em tarefas específicas, que permite maior precisão, menor custo e mais controle operacional, fatores considerados essenciais em aplicações corporativas.
O lançamento acontece após as ações da companhia brasileira despencaram mais de 14% em apenas dois dias (de 3 a 5 de fevereiro). A queda foi causada pela divulgação de uma nova ferramenta de inteligência artificial da Anthropic, dona do chatbot Claude, voltada à automação de contratos.
Também foi anunciada a criação de um novo modelo de monetização chamado TaaS (Task as a Service). Nesse formato, essas tarefas executadas por agentes de IA passam a ser oferecidas como serviço, criando novas fontes de receita recorrente.
Para sustentar essa estratégia, a Totvs aumentará seus investimentos em desenvolvimento de software. O plano prevê aproximadamente R$ 600 milhões em Capex ao longo de quatro anos, com incremento anual de cerca de R$ 75 milhões.
Resultados: lucro sobe e Ebitda bate recorde
No quarto trimestre de 2025, a companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 257,9 milhões, crescimento de 14,3% em relação ao mesmo período de 2024 e avanço de 11,6% na comparação com o trimestre anterior.
O Ebitda consolidado ajustado (resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização), atingiu R$ 408,7 milhões no trimestre, alta de 24,3% em base anual — novo recorde.
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A margem Ebitda ajustada foi de 27,1%, avanço de 1,7 ponto percentual na mesma base de comparação. Segundo o balanço, o dado está em “materialização de uma nova etapa de rentabilidade”.
A receita líquida consolidada somou R$ 1,506 bilhão no quarto trimestre, crescimento de 16,3% em relação ao ano anterior. A receita recorrente totalizou R$ 1,36 bilhão e passou a representar 91% do total acumulado em 2025.
Em 2025, a Totvs registrou:
- Lucro líquido ajustado: R$ 909,8 milhões, alta de 25,6%;
- Ebitda ajustado: R$ 1,504 bilhão, avanço de 22,3%;
- Receita líquida: R$ 5,7 bilhões, crescimento de 17%.
Recompra de até 20 milhões de ações
Em meio à volatilidade recente no setor de tecnologia, o conselho de administração aprovou um novo programa de recompra de até 20 milhões de ações ordinárias. O programa terá duração de um ano, com término previsto para 12 de fevereiro de 2027.
Atualmente, a companhia possui cerca de 533,9 milhões de ações em circulação. As recompras serão realizadas com recursos da reserva de capital registrada nas demonstrações financeiras do quarto trimestre de 2025.
Os papéis recomprados poderão permanecer em tesouraria, ser cancelados ou posteriormente recolocados no mercado.











