A Raízen (RAIZ4) encerrou o terceiro trimestre do ano-safra 2025/2026 (equivalente ao quarto trimestre), com um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões — mais de seis vezes maior do que no ano anterior. O resultado acendeu o alerta no mercado para uma possível recuperação judicial.
A companhia justificou o resultado como fruto do ajuste contábil e financeiro (impairment) para adequar o valor de seus ativos à nova realidade do mercado global de commodities. Nesse período, a companhia registrou uma provisão de R$ 11,1 bilhões decorrente de testes de recuperabilidade.
Esse montante é classificado pela Raízen como “não caixa”, o que significa que o valor foi registrado no balanço como perda contábil, mas não gerou saída imediata de dinheiro dos cofres da empresa.
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Segundo o balanço, a revisão foi motivada pela queda nos preços do açúcar e etanol e pelo rebaixamento da nota de crédito da companhia.
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No entanto, a falta de clareza da companhia para traçar um plano de reestruturação frustou o mercado. Segundo analistas da XP, os resultados vieram um tanto nebulosos e nenhuma nova informação foi fornecida. “Seguimos em modo de espera (wait-and-see), como já estamos há algum tempo”, afirmam.
Gestão da dívida e liquidez
A estratégia da Raízen agora prioriza a gestão do passivo, que representa o conjunto de dívidas e obrigações da empresa. A companhia encerrou o trimestre com uma dívida líquida de R$ 55,3 bilhões. A dívida líquida é calculada subtraindo o dinheiro disponível em caixa do total de empréstimos tomados.
A empresa está focada em substituir linhas de crédito de curto prazo por dívidas de longo prazo. Na prática, isso significa trocar contas que vencem nos próximos meses por financiamentos com prazos maiores de pagamento, buscando aliviar o caixa. A Raízen mantém uma posição de caixa sólida de R$ 17,3 bilhões para sustentar suas operações.
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Atualmente, a alavancagem da companhia está em 5,3 vezes. Esse indicador mede a relação entre a dívida líquida e o EBITDA. No mercado financeiro, ele sinaliza quantos anos de geração de caixa operacional seriam necessários para quitar todo o endividamento da empresa.
Desempenho operacional e eficiência
O EBITDA Ajustado consolidado, que mostra o lucro da operação antes de descontar juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 3,15 bilhões no trimestre. O desempenho foi sustentado pela distribuição de combustíveis no Brasil, que cresceu 50%, compensando a queda de 34% no segmento de Etanol, Açúcar e Bioenergia (EAB).
A operação de combustíveis, sob a marca Shell, gerou R$ 1,63 bilhão no período, impulsionada pelo aumento no volume de vendas de diesel e produtos de maior valor agregado. A receita líquida total da companhia no trimestre foi de R$ 60,4 bilhões, uma redução de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Por fim, a Raízen destacou ganhos de eficiência de R$ 1,3 bilhão no acumulado dos primeiros nove meses do ano-safra. Esses ganhos resultam da simplificação da estrutura organizacional e de um controle rigoroso sobre as despesas administrativas e operacionais.
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Injeção de capital na Raízen
A Cosan (CSAN3) apresentou uma alternativa para o elevado endividamento da Raízen (joint-venture entre Cosan e Shell), segundo o Valor Econômico. Pela proposta, a empresa fará oferta para aumento de capital da Raízen de cerca de R$ 3 bilhões.
Desse valor, a Shell injetaria R$ 1,5 bilhão, a Cosan mais R$ 1 bilhão e Rubens Ometto, principal controlador da Cosan, outros R$ 500 milhões, disseram fontes ao jornal.











