O percentual de famílias brasileiras com dívidas subiu 0,6 ponto percentual (p.p.) na virada de 2025 para 2026, levando o endividamento a 79,5% da população, maior nível da história — empatando com outubro do ano passado. Em 12 meses, a porcentagem aumentou 3,4 p.p.
Além da alta no índice geral, o percentual de famílias que se consideram “muito endividadas” chegou a 16,1%, maior nível desde outubro.
Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
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Leonardo Baldez Augusto, economista e educador financeiro, avalia que o quadro é agravado pela concentração de compromissos financeiros no início do ano, como pagamento de IPTU e IPVA, e pela ausência de planejamento prévio.
“O problema não é pagar contas, é pagar tudo ao mesmo tempo, sem preparo. Isso compromete o fluxo de caixa da família e amplia o uso do crédito caro”, analisa.
O economista observa que a renda não acompanhou o aumento dos custos fixos, mesmo com sinais de desaceleração inflacionária, explicando por que o endividamento permanece elevado mesmo fora de períodos de crise.
Inadimplência recua, mas atraso nas contas se alongam
Indo na contramão, a inadimplência (famílias com contas atrasadas) caiu para 29,3%, atingindo a menor taxa desde abril (29,1%). No recorte anual, o indicador permanece abaixo dos 29,1% registrados em janeiro de 2025.
Apesar da diminuição do número total de atrasos, o tempo médio aumentou para 64,8 meses, maior nível desde janeiro do ano passado. Também houve aumento das dívidas com atraso superior a 90 dias, que passaram de 48,6% para 49,2%.
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Projeções para 2026
Segundo projeções da CNC, o endividamento deve continuar avançando no primeiro semestre de 2026, como forma de sustentar o consumo, enquanto a inadimplência tende a manter trajetória de queda.
Fábio Bentes, economista-chefe da CNC, afirma que a eventual queda da taxa básica de juros (Selic) pode contribuir para aliviar o quadro, mas o efeito não é imediato. Em sua avaliação, vê que, com os cortes começando em março, os efeitos devem ser perceptíveis em junho.

